23.7.07

Declaração De Escolaridade



Há muito tempo eu não faço nada que me exija declaração de escolaridade ou coisa parecida, mas essa semana apareceu um curso de fotografia [gratuito] que me interessou e uma das condições para a inscrição era justamente a declaração escolar.
Eu me lembro que eu tinha uma coleção de declarações escolares em casa, principalmente na época que eu estava procurando emprego - coisa que eu também já não faço há muito tempo - mas agora que eu preciso, cadê?
Já é normal que eu não encontre as coisas que eu procuro - isso é certo - mas essa merece um desconto, porque tem muito, muito, muito tempo mesmo!

A escola que eu estudei é bem perto do meu trabalho, cabo de uns 3 ou 4 quarteirões e eu passo na esquina dela todos os dias de ônibus, no entanto, me acostumei a não pensar mais na escola -até hoje.
No meu horário de almoço fui até a escola pedir uma declaração de escolaridade e um turbilhão de pensamentos que eu não queria ter, me mostraram como é inútil a gente tentar evitar as lembranças que temos.
A escola estava em recesso escolar e o pátio vazio, todo aquele silêncio, colaborou ainda mais pra sensação de nostalgia que já me arrebatava desde a esquina.
Quando eu subia essas escadas eu não usava esse salto alto e nem essas roupas 'adultas'.
Tudo parece igual, muito igual...
Mas eu não sou mais igual á menina que sentava nesse degrau que estou pisando agora.
Acho que a única coisa diferente é esse portãozinho de grade nas escadas.
Aliás, porque uma escola de segundo grau tem grades nas escadas?
Eu queria ir na sala de desenho se não tivesse esse portãozinho feioso ai...
E que vontade horrorosa de entrar no auditório, que pena que tem um cadeado enorme pendurado na porta...

Até a atendente interromper o meu fluxo de lembranças:
-Qual ano que você concluiu?
-Ahhmmm... Ééé... Caraca, não me lembro, mas faz um tempão!

Faz tempo, muito tempo mesmo, mas as lembranças me parecem tão vivas e tão recentes que parecem que aconteceram a pouquíssimo tempo. Eu ainda me vejo sentada nos bancos do pátio batendo papo com meus amigos, amigos queridos, sumidos...
Enquanto a moça procurava meu nome em um livro enorme, mandei uma mensagem pro celular do Eric:
-Em que ano a gente concluiu o ensino médio? Me salva! Rss
-2001

É, é isso mesmo...
Terminamos o ensino médio em 2001 e eu terminei o ensino técnico em 2002, porque eu não gostava da professora de topografia e pulei um módulo do curso pra fazer no outro ano. Foi quando eu comecei a estudar a noite... Eu estudei os 6 meses do curso de topografia e depois conclui. Foi nessa época que eu comecei a namorar com o isac, nos intervalos e nas "matações" das aulas e eu e o isac já estamos juntos há 5 anos... Caraca, é isso mesmo!
-moça, foi 2001!
A mocinha fez meu requerimento e me entregou o papelzinho de protocolo do meu pedido.
Dei a volta pelo lado mais distante do pátio, olhando todos os cantos: as salas que eu estudei, os bancos que eu costumava matar aula, a entrada do auditório onde eu fazia aula de dança e de teatro, a biblioteca [meu deus, a biblioteca], a cantina do pior cachorro quente do mundo, o refeitório da comida sem sal e a quadra das aulas de educação física que eu fugia...
Para cada lado que olhei e para todo lado que eu olhar, tem, tinha e terá um fantasma me dizendo: "oi, lembra de mim?", e o pior é que eu lembro! Eu lembro de todos eles...
E justamente hoje, que é dia do amigo, fiquei pensando em uma conversa que eu tive com uma amigo da escola, sentada no banco pra onde fiquei olhando, em que falávamos de amizade e eu relutava em aceitar o que ele dizia e as previsões que fazia sobre como tudo ia mudar.
E mudou mesmo, no fim das contas ele estava certo.
O pior, é que tudo mudou pra pior: a vida ficou séria, nós ficamos sérios, cada um seguiu sua vida por um caminho, alguns nunca mais se viram e outros nem se reconhecem ao passar na rua.
Dizem por aí que a gente só dá valor ás coisas depois que as perde.
É um ditado de beira de estrada, mas é verdade, sabiam?
Talvez hoje eu me arrependa de cada vez que eu reclamei que detestava a escola, que achava meu curso um saco, que estava 'estressada' [vejam só] com a rotina [???] de estudos, que dizia não ver a hora de me ver livre da escola e que inventava estar 'morrendo de cólica' para matar aula e dormir até mais tarde.
Talvez, e só talvez, eu me arrependa verdadeiramente de coisas que fiz, disse e de algumas escolhas que envolviam os amigos que eu tinha

Ao sair da escola, mandei outra mensagem pro Eric:
-2001! É isso mesmo, obrigado! Acabei de sair da escola e por pouco não saio de lá chorando que nem uma boba. Que saudade... Bj

Coloquei os óculos escuros, porque eu não sou boba e com lágrimas boiando nos olhos e um monte de lembranças na cabeça, caminhei devagar voltando pro meu trabalho.
Tenho certeza que se eu pudesse, mesmo que por um dia apenas, voltar pra alguma época da minha vida, sem dúvidas seria esta época em que "clichêmente" falando, 'eu era feliz e não sabia'.
Ou melhor, eu até sabia, mas não sabia como aproveitar...
Então, reformulando, se eu pudesse voltar no tempo, seria para esse tempo!
Mas eu queria fazer isso com a consciência que eu não tinha da falta que tudo aquilo ia me fazer - como me faz!




Leia Aqui o motivo da demora em voltar pra cá!
Outro Post
d-_-b Head Over Feet - Alanis Morissette

Comente com o Facebook:

0 comentários:

Postar um comentário

Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
Expresso pra Dois © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Rafaela Melo :: voltar para o topo