sábado, 14 de janeiro de 2012

Onde vivem os MEUS monstros


Eu me escondo em casa e prendo a luz do dia do lado de fora. É minha maneira de me manter á salvo do que me queima a pele. Me encontro escondida em baixo da cama, conversando com meus monstros de estimação. Escolhi um bonito nome para cada um deles, afinal, eles já viviam há tanto tempo comigo que era no mínimo falta de educação chamá-los apenas de monstros. Quer saber? Eles parecem comigo e se duvidar, tem medo da própria sombra. Eles vigiam meu sono ao invés de perturbar meu descanso. Só eles me vêem brincando de ser eu mesma, porque não preciso me esconder deles para rir sozinha no espelho. Ninguém mais precisa saber o que faço quando estou sozinha. Ou quem sou quando ninguém está prestando atenção em mim. Ninguém me vê dançando nua no espelho, inventando desenhos em maquiagens de palhaço, pintando as unhas de uma cor que vou limpar antes de sair de casa. Quando eu era pequena, me escondia no quarto da minha mãe para vestir as roupas dela em frente a um enorme espelho. E embora eu ainda vista roupas da minha mãe de vez em quando, hoje brinco com as minhas próprias fantasias. Aquelas do dia-a-dia, que uso quando saio fingindo por aí que sou uma moça séria. Ou que ainda sou uma menina de jeans, allstar e mais uma camiseta nova do Garfield. Ou da Mafalda. Eu canso do salto alto e das blusas de botão. Eu canso dos cabelos alinhados. Eu canso de mim mesma e corro pra casa. Me escondo no quarto escuro, porque tenho medo dos insetos atraídos por essa luz que dizem que a gente traz no peito. Quem precisa de insetos voando dentro do peito? E se não forem os tais insetos que chamam de esperança? Não vou me arriscar. Eu espero o tempo passar, mas também tenho medo de envelhecer e secar, feito árvore plantada longe do rio. Feito a sombra que resta dos sonhos que não estão mais vivos. Acontece que a gente vai se acostumando com o próprio mundo e se esquece que alguns dos nossos maiores sonhos, só sobrevivem no mundo que existe fora de nós mesmos. Eu acordo todos os dias e saio pelas ruas carregando minhas certezas embaixo do braço. Eu e toda a minha vontade de voltar pra casa antes que alguém derrube minhas certezas pelo chão. Antes que alguém se ofereça pra recolher o que ficou espalhado pelo caminho. Volto para os meus monstros imaginários antes que alguém repare nas minhas janelas fechadas. Antes que alguém enxergue a tal luz que eu só vivo para esconder. Antes que alguém mate meus monstros e me faça enxergar que eles só existem enquanto os chamo pelo nome.
Eu digo que sou livre, mas na verdade, estou apenas fugindo. Só que ninguém mais sabe disso.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Da minha letrista


Eu estava convencida de que não postaria mais aqui no blog até 2012.
Daí minha amiga Vanessa Finizio resolveu ressussitar seu blog abandonado só pra dizer um monte de coisa que eu também queria.
Já sei porque não tenho o que dizer. Ela roubou! E como ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, roubei dela na cara de pau. Mesmo porque, duvido que eu vá viver mais que cem anos. rs


29/365 nostalgic mood
Foto: Melina Souza

"Depois de muito tempo, escrevo.
Queria que você não se incomodasse com a ferrugem das minhas palavras: faz tempo que não são usadas, não assim. Elas passaram muito tempo sendo atiradas pela minha boca sem preocupação, de maneira descuidada.
Eu tinha pressa de viver. Muita coisa mudou e eu só queria correr e falar o máximo que eu podia, aproveitar cada segundo.
Acho que eu esqueci de mim. Você lembra?
Não sei onde eu estou, acho que me guardei em alguma gaveta e não lembro exatamente qual. Acho que não sabia o quanto eu devia me cuidar, afinal para correr era necessário carregar o mínimo de peso possível.
Você acha que eu posso estar debaixo na cama? Ou naquela porta mais alta do armário?
Se você me achar, me avisa. Tô precisando muito de mim. Quero me vestir, orgulhosa, e sair comigo na rua pra que todos possam ver. Tem gente que ainda não me conhece. Eu sempre conto como sou, mas algumas pessoas não acreditam que eu exista. Vestem-me com outras personalidades que julgam servir em mim...
E bem, só a gente sabe o que serve na gente, não é? Eu me prefiro.

...

É, definitivamente eu sinto falta de me sentir. Estou muito sem graça assim, sem mim. Não quero mais correr. Vou procurar no sótão, lá é onde ficam as maiores preciosidades. Quando eu me achar, eu te aviso.
Eu sei que você vai querer ver como eu estou."

Vanessa Finizio



Van, sua... sua... humpft!
#despeito
Te amo. rs

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Previously on my MSN - VII

Foto: We♥It

-Ele tem tem tudo pra me conquistar, entende?
-Entendo. O problema é que ele não quer, né?
-...

[Pausa. Longa]

-Desculpa...
-Porra, Carol, você é sutil como um paquiderme!
-Eu sei.
-Pior é que eu sei também. E ainda pergunto logo pra você...
-Desculpa...
-Tá.

[Pausa. Não tão longa]

-Mas então, vamos falar de coisa boa? Vamos falar de TecPix...



Porque olha, você pode até pedir minha opinião, mas saiba que eu darei. E nem sempre do melhor jeito.
Delicadeza: Não trabalhamos.
Traquejo social: Tem mas acabou.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Previously on my MSN - VI


Foto: We♥It





-Mas porque vocês brigaram?
-Porque eu fui na festa do fulano
-Mas você foi sozinha?
-Fui
-Porque você não levou o namorado? 
-Ahhh porque eu sou muito ciumenta
-Ai que feio... Você acha que alguém lá ia dar em cima dele?
-Não é isso. Eu não tenho ciúme daquele babaca do meu namorado
-Então?
-Eu tenho ciúme dos meus amigos
-...
-É pô. Eu tenho meus amigos, ele tem os dele. Não gosto que ele fique amigo dos meus amigos. Não gosto de misturar as coisas.
-Mas...
-Pensa: se esse fdp termina comigo ou eu com ele?
-...
-E se a gente acabar tendo muitos amigos em comum...
-...
-E o mais grave: se algum dos meus amigos ficar mais amigo dele do que é meu?
-Bom...
-Maior merda né?
-É!
-Então. Como posso saber se o que tenho com ele é pra sempre? Ou se é por tempo o suficiente pra ele merecer conhecer meus amigos? Namorados vem e vão, amigos ficam.
-Isso é.
-Tenho ciúme dos meus amigos. Ponto!
-Pois é... Acabei tendo que concordar com você.
-Me sinto menos louca agora
-Eu, ao contrário, me sinto mais louca ainda.


Pois é, tive que concordar com ela!

Segundo a Jana, minha alma gêmea gaúcha, a gente tem que ter medo das pessoas com as quais nos identificamos, porque sabemos exatamente do que elas são capazes.
Eu tenho medo. Muito medo! Tenho mesmo!


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Nova Resposta Padrão




- Olá. Você gostaria de ser cliente do TMI serviços a longa distância?

- Oh, Jes.. Não posso falar agora, por que você não me dá seu telefone residencial para que eu possa ligar mais tarde?

- Ahm, me desculpa. Nós não podemos fazer isso

- Então eu acho que você não quer pessoas te ligando em casa?

 - Não...

- Ah, então agora você sabe como eu me sinto



Jerry Seinfield em "The Pitch, The Ticke"
(Via
@jessicambf)





Digdim, digdim, digdim
Serve pra tudo!



Ps: Eu PRECISAVA postar isso. Em breve voltaremos com a programação normal

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Caixa Postal II

Foto: We♥It

Querida tia Adriana


Estou te escrevendo essa carta, pra te dizer que eu contei pro seu amigo Felipe que você gosta dele.
Talvez você fique com raiva de mim e diga que eu sou só uma pirralha que não sabe de nada. Se você contar para a minha mãe, provavelmente vou ficar de castigo por me meter na vida dos adultos.
Mas antes de ficar com raiva de mim, deixa eu te contar uma coisa?
Eu não me acho mais tão criança assim. Há muito tempo venho observando o comportamento de vocês, que se acham adultos. E pode ficar surpresa com o que vou dizer: descobri que vocês são muito mais crianças do que eu.
Não entendo essa mania que vocês tem de querer esconder tudo o que sentem e fingir que sentem outra coisa.
É mais fácil ser criança, sabia?
Se eu estiver triste com alguma coisa, estarei realmente triste, oras. Não vou fingir que estou feliz só pra ninguém saber.
Se eu caio e me machuco, eu choro!
Se eu quero rir, eu não fico prendendo o riso só por medo do que vão pensar de mim.
Se eu não gosto de uma pessoa, eu não fico perto dela.
Se tiver medo de alguma coisa, me escondo.
Se tiver algo importante pra dizer, eu digo.
Não sei se quero crescer mais e ser que nem vocês, adultos e complicados.
Quando eu era menor e ficava com vergonha por ter me caído um dente ou por ter feito alguma bobagem, achava que os adultos nunca se envergonhavam de nada. Achava que só as crianças faziam besteiras e se escondiam pra não levar bronca dos pais. Que só as crianças inventavam mentirinhas pra faltar na escola porque estavam com vergonha de algo que tinham feito pra professora ou pra algum coleguinha.
Mas ontem, na minha festinha aqui em casa, reparei que não era bem assim.
Estava escondida embaixo da mesa, brincando de pique esconde e ouvi sem querer a sua conversa com a tia Andréia.
Sei que estou grandinha pra ficar ouvindo conversa escondida. Não fiz por querer, vocês que não sabiam que eu estava ali.
Ouvi você dizer que gostava muito do Felipe, mais do que qualquer pessoa no mundo, mas que tinha vergonha de falar com ele.
Era mesmo de falar com ele que você tem vergonha, tia?
Ou você tem vergonha de gostar dele?
De qualquer forma, foi a primeira vez que eu vi um adulto com medo ou vergonha de alguma coisa.
Foi por isso que eu resolvi te ajudar e contei para o Felipe que você gosta dele.
Antes de brigar comigo e antes de contar pra minha mãe que eu sou abusada e intrometida, queria te contar uma última coisa:
Ele gostou!

Beijos da sua sobrinha
Isabela





Voltando a programação normal E voltando pro projeto "Caixa Postal"Pra quem não lembra, começou aqui
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