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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

(ou um dia dos palhaços com bastante atraso)


A alegria é coisa q avôa


O Riso da terra é o nome de uma companhia de circo mambembe!
Viajam em uma carroça de cidade em cidade, parando onde exista o mínimo de público e encantando todos por onde passam. Fazendo o jovem Tonho se apaixonar por uma jovem artista. Essa companhia é formada por duas pessoas: Clara e seu padrinho. Estou falando do filme "Abril despedaçado".
"O Riso da terra" = o que é a arte circense se não isso?
Fazer arte não é fácil. Fazer arte não é vagabundagem.
E falando nesse sentido de arte, espero que pensem com abrangência. Pensem em música, em literatura, em teatro, cinema, circo...
Pensem também naquela vizinha fofoqueira que responde "mas emprego de verdade ele não tem?" quando sua mãe diz que o filho trabalha com arte.
"Emprego de verdade" - como se trabalhar nesse segmento não tivesse o mínimo de seriedade, de verdade e comprometimento.


Teatro de Anônimo

Eu fui por outros caminhos, mas sempre quis trabalhar com arte.
Hoje, eu tenho um privilégio enorme de ter caído bem no meio de um ambito circense. Tenho o prazer de conviver com palhaços e acrobatas e sei que as aulas de trapézio e acrobacia aérea, são o ponto alto dos meus dias e trazem um tanto enorme de sentido e felicidade pra minha vida!
Fui cair no meio das oficinas de acrobacia aérea ministradas pelos artistas do Teatro de Anônimo.
Um grupo de pessoas maravilhosas que trabalham naquilo que chamam de Teatro Popular Circense.
O Grupo é responsável pela criação do evento Anjos do Picadeiro – Encontro Internacional de Palhaços que reune artistas nacionais e internacionais. É fantástico!
Além disso, todas às quintas feiras, o grupo transforma o Espaço 01, na Fundição Progresso, em um teatro-cabaré com cenas cômicas e números circenses.


Eu ainda volto pra esse personagem... Juro!


Há pouco tempo atrás, estive em um Projeto Social inspirado nos Doutores da Alegria, isso é, palhaços que visitam pessoas. Um grande aprendizado e uma experiência que eu pretendo repetir assim que puder.
Não faço nada profissionalmente, sou aprendiz, amadora, aluna. Faço por prazer.

Arte nenhuma é minha fonte de renda e duvido que um dia seja.
Pra mim, é um enorme prazer, mas fazer arte é um ato de bravura!
Tem seu lado lúdico, bonito e encantador - e quem dera fosse o único lado dessa moeda.
Fazer arte é tornar a vida mais leve, menos efadonha. É colorir o preto e branco dos dias e levar um pouco mais de sentido à tantos vazios que precisam ser preenchidos com um conteúdo decente, de não-violência, de não-banalidade.
Fazer arte é tornar o mundo mais bonito, mesmo que seja por um breve instante, pelo tempo de um número no centro de um picadeiro ou no tablado de um palco.
Ecoar o som do sorriso de uma criança e emocionar os adultos ao redescobrir a criança adormecida em si mesmo.
É não se render ao comércio, ao jornalismo, ao marketing, à internet, à política, às publicidades...
É nadar contra a maré mesmo!
E será que depois de tanto esforço, hoje tem marmelada? Ahhh tem sim senhor! Tem que ter!
Afinal a gente "sabe que o show de todo artista, tem que continuar".


Bravo aos artistas circenses e aos circos intinerantes, mambembes!
Bravo aos atores de teatro que não se redem à Malhação!
Bravo aos Saraus, aos Palhaços de hospital e aprendizes de Pacth Adans!
Acho muito, muito digno!!!



Eu mesma...


Eu me apaixonei por aquilo que produz o verdadeiro "riso da terra"!
Ainda que essa "terra" seja só a do meu quintal.
Feliz Cultura pra Vocês!




Ser palhaço, é desprender-se de si mesmo,
pra poder ser o que você realmente é!
~Dênis Goyos

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


Simples como qualquer palavra que eu já nem preciso falar (OTM)

As palavras sempre me foram poucas. Quando eram muitas, traziam o arrependimento por falar demais.
Quando não, destoavam do meu verdadeiro tom.
Palavra quando usada demais desbota. Que nem jeans surrado. Que nem allstar muito usado.
Perde a cor, que nem roupa colorida lavada por muitos anos!
Palavras são displicentes. Perdem partes da gente pelo caminho. Deixam cair pelo chão, pedacinhos de sentimentos que deveriam levar até quem nos ouve. E são tão poucas, que não conseguem explicar ao coração o que é esse descompasso, do que é feita essa angústia, como desenrola esse emaranhado de sensações.
As palavras nunca serão o bastante e a minha sina é viver perdida entre elas, buscando algo que satisfaça essa dúvida constante: o que dizer?
O que dizer quando me sento sozinha no chão do quarto juntando os pedacinhos que perco ao longo do dia?
Como explicar que a ausência de certas peças ocorre, porque as perco no caminho, na rua e não apenas dentro de casa?
As palavras se confundem nas preces em todas as vezes que eu rezo baixinho dizendo nomes sem nem ao menos saber porque.
Talvez nomes de caminhos cruzados, histórias incompletas, sonhos perdidos na névoa dessa cidade cinza. Cinza, cada vez mais cinza!
As palavras não dizem, mas os sonhos perdidos querem voltar para casa e ás vezes conseguem. Passam dias circundando sua antiga morada, como um filho pródigo que não sabe como será recebido e só depois de muito tempo tomando coragem resolvem voltar.
Não ouso contestar quando dizem que algumas palavras são desnecessárias. Por mais que eu escreva, por mais que queira dominá-las e entendê-las... São só palavras e saem perdendo quando quem entra em campo é o sentimento. Esse sim, robusto e imponente, tem o poder de calar todas as palavras do mundo quando lhe convém.
O grande problema é entender qual é o sentimento que faz sentido. Assim, sem forma, ele é tão fraquinho que entende que apenas os sentimentos que fazem sentido é que tem força o bastante para ser independentes. Acho que só me resta esperar que ele encontre o sentido sozinho, eu já não tenho pressa e nem forças para fazer isso por ele.
As palavras sempre me foram poucas e ainda assim, eu preciso delas pra explicar um pouco do que eu sou, pra descomplicar um pouco essa complicação sem fim.
Preciso dela pra contar os dias, as horas... Todos os segundos dessa história sem pé nem cabeça.
Eu entendo mesmo é de pausas, virgulas e reticências.
Eu gostaria de escrever essas coisas sem parecer louca e sem parecer fútil, mesmo que apenas quem vive algo parecido me compreendesse.
Mesmo que esse alguém fosse apenas eu. Ou você. Ou nós dois, quem sabe?
Mas palavras são tão concretas, tão objetivas... Elas dizem demais sobre aquilo que não precisa ser dito.
Me confundem mais do que eu já me confundi nesse texto. E são eternas a partir do momento que as escrevo. Elas me revelam, me denunciam, me espelham, me delatam, me dilatam, me torturam, me aliviam...
Me salvam de mim mesma e dessa luta que eu travo todos os dias, comigo mesma: minha pior inimiga e maior aliada.
Eu vou embora, mas as palavras ficam tentando explicar se isso pode ou não fazer sentido!




"Escrevo como que para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha."
~Clarice Lispector.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009





Tropeçar sempre na mesma pedra é distração demais para uma pessoa só!




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quinta-feira, 19 de novembro de 2009


Eu nunca disse que iria ser a pessoa certa pra você...


Foi num bar na Lapa. As quatro amigas conversavam animadamente ao som de um sambinha de raiz. Duas comentavam sobre o sujeito com o cavaquinho, enquanto uma lamentava o fim de um relacionamento e a outra comemorava a solteirice.
-Eu achava que ele era o cara certo pra mim! Tinha tudo pra ser...
-Eu não. Só sei que "enquanto não encontro os caras certos, me divirto com os errados”.
-Ô frasezinha batida...
Foi então que ela parou de olhar pro sujeito com o cavaquinho e mergulhou num abismo tão profundo dentro de si mesma, que não conseguia mais ouvir samba algum. Não sabia quanto á amiga, mas ela não encontrava os homens certos, porque simplesmente andava fugindo deles!
Não é que eles não existissem, ela que os ignorava. Andava saindo com os errados não apenas por diversão, mas também para fugir dos caras certos. Ela poderia estar acompanhada, hoje, de um cara que poderia ser o grande amor de sua vida. Mas ela não se deixava conhecer. Jamais permita apaixonar-se. Percebeu que não sabia agir de outro modo. Não saberia não se defender.
Sim, é claro que ela gostaria de ser amada! Gostaria de acordar com mais alguém no travesseiro, ainda que não freqüentemente. Reconheceu que desejava descer do salto da auto-suficiência e se aninhar no peito do ser amado. Ele teria aquele abraço protetor e ela fingiria precisar de toda proteção do mundo para que ele não a soltasse. Sim, definitivamente isso seria bom. Seria bom esquecer que sabe se cuidar sozinha e deixar outra pessoa fazer isso por ela. Ao menos por um tempo. Ao menos enquanto fosse bom. Ela trocaria a companhia das amigas em alguns fins de semana para ficar uns dias a sós com aquele homem que nem conhecia ainda. Gostaria de ouvir de alguém aquelas palavras que os homens dizem, mesmo que não conseguisse acreditar em nenhuma letra.
Então ela pensou que precisava arrumar um jeito de se auto-sabotar. Precisava convencer a si mesma de não insistir tanto em não se envolver, a parar de fugir dos caras que lhe despertassem o interesse, a não se esconder atrás dos caras errados para que os outros não a reconhecessem. Precisava parar de exalar futilidade para esconder o seu conteúdo.
Estava determinada a conhecer o amor de sua vida - por que não? Ela deveria ter o direito de ter algum, não teria? Então, decidiu deixar-se encontrar, deixar-se conhecer pelo grande amor de sua vida. Não teria problemas se ele demorasse, não teria problemas se ele não a reconhecesse de primeira... Ela havia decidido esperar por ele. Talvez, ainda se divertindo com os errados, mas nunca mais fazendo dessa diversão uma desculpa para a própria fuga.
Mas ainda tinha um problema: como ela reconheceria o grande amor de sua vida? Simplesmente saberia? Seria aquele de quem seu primeiro impulso seria fugir?
Esse tal grande amor teria um trabalho e tanto, coitado. Já começava a gostar mais dele só de pensar isso!
Foi então que ela começou a ouvir o samba novamente e notou que as amigas riam de sua viagem ao mundo da lua.
Começaram a conversar sobre amores, encontros e desencontros até que uma delas interrompeu o assunto tão fora de propósito com o ambiente e o clima de uma sexta feira a noite. E definitivamente, foi a observação mais sensata de todas!
O samba seguia animado, várias pessoas dançavam pelo boteco - sozinhas e acompanhadas - e o garçom vinha chegando com a bandeja de petiscos.
Se existe um lugar certo para se conhecer o grande amor de sua vida, estava certa que esse lugar não era um boteco da Lapa.
E já que o sujeito do cavaquinho estava sorrindo com um inquestionável charme boêmio... Porque não?



"Além dos meus espinhos eu tenho também muitas flores!
~Tati Bernardi

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009


I believe in God, and I believe that God believes in me... [Hair]


Tem gente que acredita em contos de fadas. Tem gente que acredita em política. Tem gente que acredita em vida extra-terrestre. Tem gente que acredita que a vida pode ser um comercial de margarinas. Tem gente que acredita em duendes. Tem gente que acredita que cruzar com um gato preto dá azar. Tem gente que acredita em numerologia. Tem gente que acredita em astrologia. Tem gente que acredita no que dizem os horóscopos. Tem gente que acredita em si mesmo. Tem gente que acredita em mim. Tem gente que acredita em gênio da lâmpada maravilhosa. Tem gente que acredita que rodízio de placa diminui engarrafamento. Tem gente que acredita em lendas. Tem gente que acredita no governo. Tem gente que acredita que a paz mundial acontecerá em breve. Tem gente que acredita no fim do mundo. Tem gente que acredita que o Brasil é o país do futuro (Renato não conta, ele já morreu). Tem gente que acredita em vampiros e almas penadas. Tem gente que acredita em lobisomem. Tem gente que acredita na vida de novela. Tem gente que acredita em reencarnação. Tem gente que acredita que passar embaixo de escada trás mau agouro. Tem gente que acredita em todo tipo de mentira que ouve. Tem gente que acredita que orelha quente é sinal que falam mal de você. Tem gente que acredita que pulando três vezes para São Longuinho, achará objetos perdidos. Tem gente que acredita em pedidos realizados por estrelas cadentes. Tem gente que acredita no primeiro "eu te amo". Tem gente que acredita nas desculpas mais esfarrapadas do mundo. Tem gente que acredita no poder de cura da água benta. Ou da água do Ganges. Tem gente que acredita em mitologia. Tem gente que acredita que quem quebrar um espelho terá sete anos de azar. Tem gente que acredita em papai noel, bruxas e fadas. Tem gente que acredita em coincidências, outras em acaso e outras em destino. Tem gente que acredita em saci pererê, curupira e mula sem cabeça. Tem gente que acredita em cada besteira e em cada lorota que escuta. Tem gente que só acredita no semáforo. Tem gente que acredita que o orkut vai ser pago se não repassar trilhões de e-mails com abaixo assinado. Tem gente que acredita em tudo que lê. Tem gente que acredita que ver uma borboleta dá sorte, outros acham que é deixar um copo de sal grosso no canto da sala. Tem gente que acredita que verrugas no dedo nascem ao apontar estrelas (já viu aquela, que linda?). Tem gente que acredita que Tem gente que acredita em dietas milagrosas. Tem gente que acredita em gente sem cabeça também. Tem gente que acredita na inocência dos réus. Tem gente que acredita em taxas reduzidas, crédito especial, vantagens do melhor banco do mundo. Tem gente que acredita que deixar a bolsa no chão afasta dinheiro. Tem gente que acredita em viral, marketing fuleiro e propaganda. Tem gente que acredita que quem passa embaixo de um arco-íris muda de sexo (mas alguém já conseguiu passar embaixo de algum? Também dizem que tem um pote de ouro por lá) Tem quente que acredita que é o tal. Tem gente que acredita que tem super poderes. Tem gente que acredita em conspiração. Tem gente que acredita que pode amar por dois. Tem gente que acredita que ignorando os problemas eles deixam de existir. Tem gente que acredita que é só uma fase. Tem gente que acredita que tudo sempre pode melhorar. Tem gente que acredita em livro de auto-ajuda. Tem gente que acredita na bondade das pessoas.
Tem gente que acredita em cada coisa...


Eu acredito sobretudo no caos!




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quarta-feira, 4 de novembro de 2009




Te enviei um envelope sem carta. 
Nem uma palavra. 
Só pelo sádico prazer de pegar teu silêncio e devolver na mesma moeda!


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