1.3.09

Sonho de uma Flauta - Hermann Hesse




Quem me conhece, sabe da minha predileção pelo escritor Hermann Hesse.
Uma paixão que começo quando li "O Lobo da estepe", até hoje o meu preferido.

É sempre engraçado quando chego nas livrarias e sebos perguntando pela seção de literatura alemã. Não sei porque me olham engraçado. Talvez eu tenha cara de quem compra livros de poesia e auto-ajuda. [blergh]
Pensando em passar a usar meus óculos com mais frequência. Eles me dão um ar sério e ninguém estranha se eu peço livros que o vendedor nem sabe que existem! Humpft

Mas voltando a falar do meu amigo Hermann, este livro deve ser meio raro, porque não o encontrei em lugar nenhum. Comprei na internet.
Eu sou dessas pessoas que não economizam com livros e possui mais livros do que espaço pra guardá-los. Apesar de ter a maioria dos livros do Hermann em e-book, não abro mão de comprá-los quando encontro. É muito bom tê-los ao alcance das mãos, bem aqui na minha estante. Ás vezes compro edições novas de livros que eu já tenho e aposento as antigas! *maníaca? quem?

Aliás, fica aqui a dica pra quem quiser me presentear: qualquer livro do Hermann Hesse me deixaria feliz! (Aqui eu tenho este, O Lobo da Estepe e O Jogo das Contas de Vidro)


Sonho de uma Flauta, é o nome de um dos nove contos que compõem o livro.
Não sei se foi escolhido para título por ser um dos principais contos ou por ser o que tem o melhor título. Sei que o meu preferido vai ser sempre o primeiro deles!
O livro não está disponível em e-book, mas o conto que dá título ao livro pode ser lido aqui.
Originalmente, chamava-se Märchen, que quer dizer "conto de fadas" e foi lançado logo após Demian sob o pseudônimo de Emil Sinclair, com o qual Hermann ganhou o Prêmio Fontane de Literatura. Anos depois, quando a verdadeira autoria de Märchen ficou conhecida, Hermann devolveu o prêmio.

A leitura de cada um dos contos, propõe ao leitor uma reflexão. Nem que seja a de "ler de novo" pra tentar entender. E uma coisa eu garanto: cada leitura, ainda que do mesmo conto, renderá uma nova interpretação.
Talvez algumas pessoas não entendam nada, literalmente, por não ter uma visão metafórica das coisas ou por não estarem acostumadas a fazer ligações, comparações... Não é o meu caso!
O que alguns podem julgar ingenuidade, simplicidade ou despretensão, deve ser observado com calma e lido com atenção, para somente assim, compreender do que se trata.
Hermann Hesse tem esse olhar mistificado da natureza e de tudo que a compõem, esse questionamento sobre a forma do ser humano se portar, viver e enxergar o mundo, esse lirismo escondido ou escancarado em cada palavra, em casa conto... E só ele o faz com tanta particularidade e maestria.
Em Sonho de uma Flauta, vemos a natureza de uma maneira que não estamos acostumados a ver: com vida própria! Coisas que muitos julgarão irreais ou pura poesia. E sendo assim, poetas tem o dom da criação e liberdade intelectual.

Eu, como fã, já consigo reconhecer algumas características da escrita de Hesse. E fico fascinada cada vez que leio algo desse autor. Quem não conhece, haverá de se encantar e no fim da leitura, sentirá tristeza por ter terminado um livro tão gostoso de ler.
Dizem que essa tristeza só acontece quando o livro é realmente bom.
Bom, isso explica meu sentimento ao terminar de ler Sonho de uma Flauta.
Mas talvez eu encontre por aí, um vendedor de espelhos como um que eu conheci no livro. é certo que eu compraria um dos pequenos, de bolso, desses pra carregar por toda parte pra não esquecer o próprio rosto.
Ou talvez conheça um rapaz a quem ninguém consegue odiar, um poeta em busca das palavras perfeitas, a busca do amor, o caminho difícil para uma outra estrela ou as lembranças guardadas na íris de uma flor.
Nesse dia, talvez eu consiga fazer uma narração precisa do que acontece em vilarejos festivos, em montanhas encantadas ou as metamorfoses possíveis na natureza e em seres humanos quando se encontram e tornam-se um só.
Mas enquanto não consigo... leiam Hermann Hesse!

Fica a dica!



"O mundo é muito bonito - disse eu - meu pai tinha razão"
~Hermann Hesse


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Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
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