quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sobre Plágios

Feliz Dia das Mães [19/52]
Foto: Carol Rodrigues
"Quando alguém se apropria de um texto sem dar os créditos ao autor, essa pessoa se apropria de um momento, de uma história que a inspirou, da oscilação dos sentimentos, de trocas íntimas. Ela se apropria de uma transa, de um abraço, de uma vitória, de uma dor, de uma cura e de horas que foram dedicadas à elaboração daquilo. Ela se apropria de uma lembrança, de uma saudade, de uma angústia, de uma solidão, de um talento. Ela se apropria de algo que pode exemplificar exatamente o que ela queria dizer, mas que teria dito de outra forma.Ela não escreve uma história, ela escreve uma farsa.
Por mais que um texto meu pareça fluido ou que eu tenha “facilidade” em escrever, este é um ato solitário e de muita entrega. As palavras são temperamentais e, muitas vezes, arredias. Seduzi-las será sempre um desafio. Compartilhar um texto é um ato de generosidade, porque se compartilha, antes de tudo, uma nudez. E é essa honestidade que tantas vezes desanuvia o coração de alguém que descobriu que não está passando pela mesma situação sozinho. Compartilhar é uma forma de dar calor, de segurar a mão, de fazer um afago, de pedir colo. Por mais simples que seja um texto, ele sempre é fruto de muita leitura, estudo, autoconhecimento, conversa, observação e trabalho. Por isso, o autor merece respeito e consideração. Talvez algumas pessoas não saibam, mas textos são como filhos que a gente solta no mundo, mas todos eles têm uma certidão de nascimento, uma identidade, uma digital. E serão reconhecidos mesmo que desfigurados, porque têm DNA."


- Marla de Queiroz

Vocês já devem saber porque esse texto da Marla de Queiroz veio parar aqui né?
Esses dias, uma amiga me mandou o link de um blog que estava, digamos, "me homenageando" com a publicação (na íntegra) de alguns textos meus. Alguns bem antigos, o que me surpreendeu um pouco. Confesso uma certa preguiça desse assunto mais uma vez. Numa das postagens, comentei assim: "Engraçado, mas conheço esse texto de algum lugar".  Só. Não cheguei a ver o tal blog direito, tive um fim de semana épico off line e acabei esquecendo do tal blog.
O caso é que o blog não existe mais.
Foi deletado por quem criou, porque eu não denunciei, não sinalizei nem nada.
Acho que a pessoa se assustou. Tipo "Nossa, descobriram minha fonte." Ou melhor, "Minha fonte me descobriu".
Continuo pensando na frase que um amigo, o Diego, me disse de outra vez: "Plágio é uma forma de elogio". No entanto, eu ainda prefiro que esse elogio seja direcionado.
Não custa nada citar autor. São só 14 letrinhas ó: Carol Rodrigues
Eu sou legal. E quase não mordo ;-)

Beijo nas kionça

Comments:

Brenda Andrade ♥ disse...

Gostei muito desse texto, e é muito verdade viu? Esses dias ouvi que mais íntimo que sexo, só uma conversa verdadeira. E creio que aquilo que escrevemos é uma conversa verdadeira, mesmo sendo um monólogo, e quem se apropria de nossas palavras se apropria também daquilo que sentimentos sem o nosso consentimento.
Bjs
http://brendainwonderland.blogspot.com

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