17.3.08

O Ciúme e a Loucura de amar demais...

Tenho ido ao teatro toda semana, mas não como mera espectadora.
Explico: Consegui um contrato de prestação de serviço no Teatro do Sesc e estou trabalhando com uma espécie de recepção de eventos. Resumindo porque o assunto do post não é o meu trabalho, deixo claro apenas que, com a função que eu exerço lá, posso ficar dentro do auditório e assistir ao espetáculo que estiver em cartaz.
Depois de duas semanas assistindo balé, enfim, estreiou uma peça que eu fiquei muito animada quando soube:
Otelo, de Willian Shakespeare - com Diogo Vilela.
Primeiro porque eu amo Shakespeare - segundo porque adoro o Diogo Vilela.
Enfim... vamos ao assunto do post


Clica que Cresce

Um Clássico é sempre um clássico. Otelo é uma das quatro principais tragédias de Shakespeare, ao lado de Hamlet, Rei Lear e MacBeth.
Pra falar de Otelo, falamos sobre ciúme, preconceito, inveja, traição...
Otelo é um importante comandante, respeitado pelo cargo que ocupa e por liderar com sucesso a guerra entre Venezianos e Turcos pela posse da ilha de Chipre, mas que ainda assim, é tratado com preconceito por ser negro. Otelo apaixona-se pela filha de um importante senador, com quem se casa sem a permissão do sogro que renega a filha por estar casada com um negro.
Não bastasse este infortúnio, Otelo é alvo da inveja de seu alferes, Iago, que o envolve numa trama de intrigas que acaba por arruinar sua vida.
Iago odiava Otelo e por se sentir rebaixado ao cargo de alferes do mouro, concebeu um terrível plano de vingança e aproveitando-se de sua inteligência, começou a semear as sementes do mal , instigando Otelo a crer que sua esposa o traía com um de seus amigos, o Tenente Cássio.
Iago sabia que o ciúme é o mais destrutivo dos tormentos que afligem a alma das pessoas - e usou isso contra Otelo.
Como toda tragédia de Shakespeare que se preze, Otelo acaba consumido de ciúmes, e convencido pelo ardiloso Iago, mata a esposa acreditando que ela é infiel.
Ao descobrir que tudo não passava de uma armação, se mata também.


"Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme:
têm ciúme, nada mais.
O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce".
- Ato III - Cena IV: Emília



~Diogo Vilela (Iago) e Luciano Quirino (Otelo) em ação


Sou notoriamente uma fã do texto de Shakespeare.
Nos palcos do Sesc, a peça é dirigida e estrelada com maestria por Diogo Vilela, que interpreta o alferes Iago enquanto o papel de Otelo é interpretado pelo talentoso Luciano Quirino.
Dizem que um ator pode ser aplaudido com louvor, quando interpreta um vilão e o público chega a sentir raiva dele por causa do personagem.
E não é por gostar do Diogo que eu falo isso, mas dá raiva ao assisti-lo como Iago. Vontade bater naquele cão invejoso hahaha.
Com um elenco muito afinado e bem estruturado, a peça, que também tem um cenário impecável, prende, cativa e emociona o publico.
E quem disser que não fica com pena de Marcella Ricca interpretando a injustiçada Desdêmona, está mentindo!
Chamo atenção também, pra interpretação de Rose Abdallah como a ama Emília, esposa de Iago. Primeira coisa que eu reparei, ainda nos ensaios, foi a potência da voz da mulher - muito importante pra quem faz teatro. Mas a interpretação dela também é primorosa - aplaudidíssima em todas as noites de espetáculo.
Entre outros nomes, o elenco conta ainda com Miguél Tihé interpretando Cássio e Reinaldo Gonzaga como Bradântio.




Clica que Cresce
Hey mamãe, olha eu de Robert na foto da Estréia


"O que não tem remédio remediado está".
- Ato I - Cena III: Doge


Texto:William Shakespeare
Direção: Diogo Vilela e Marcus Alvisi
Elenco: Diogo Vilela, Luciano Quirino, Marcella Ricca, Reinaldo Gonzaga, Rubens de Araújo, Laura Prochet, Mauro Gorini, Rose Abdallah, Miguel Thiré, Marcos Damigo, Rafael Maia, Eduardo Muniz, Breno de Felippo, David Thami, Diogo Brandão e Salvatore Giuliano.
Adaptação e tradução: João Gabriel Carneiro e Leonardo Marona

Em cartaz: 13/03 a 01/06 - Qui, Sex, Sab e Dom
Horário: às 19h
Preço: R$ 6 (comerciários), R$ 12,50 (estudantes, idosos), R$ 25.
Classificação Etária: 16 anos

Teatro SESC Ginástico
Av. Graça Aranha - 187,
Centro - RJ

Fica a dica

14.3.08

Coincidências II

-Quanto tempooooooo
-Pois é, quanto tempo!
-Rapaz, que coincidência te encontrar, eu estava pensando em você...
-Estava mesmo? Porque eu estava pensando em te ligar!
-Sério?
-Sério! Que coincidência!!!

Eu me sentei em frente ao computador e pousei os dedos sobre o teclado, olhando o documento em branco, rebobinando a fita do dia de hoje e pensando no que escrever! Então me lembrei da longa conversa sentada no banco da pracinha, com uma coca-cola e um pacote grande de pipoca.
Eu começo a duvidar que coincidências não existam...
De certa forma, é meio assustador quando certas coisas acontecem. Você esteve pensando em uma pessoa e em seguida a encontra na rua, sonha com uma pessoa e descobre que ela morreu, pressente que alguma coisa não vai bem com alguém querido e quando vai apurar, as coisas não andam bem mesmo...
É! Isso é assustador, mas confortante quando o final é bom!
Você fica com aquela sensação de que “a vida está conspirando” a seu favor.
Pelo menos foi isso que eu pensei ao encontrar um amigo querido que não via há tempos.
Eu ainda não sabia, mas eu precisava ter aquela conversa com ele e da mesma forma, ele precisava conversar comigo. Só não sei o que foi mais importante pra mim: ouvir o que ele me disse ou falar o que eu falei pra ele.
Volto a pensar que não existem coincidências e sim uma grande conspiração que eu não sei explicar. Destino, talvez... Talvez estivesse escrito em algum lugar, na minha história ou na dele, que íamos nos encontrar um dia desses e ter uma importante conversa que seria útil para nós dois.
A questão não é acreditar que tem sorte ou azar por ver um gato preto ou um trevo de quatro folhas. Isso são crenças, na maioria das vezes infundadas. É mais um caso de aceitar que “isso tinha que acontecer, de uma forma ou de outra”.
E o fato, bem, o fato é que eu precisava ter aquela conversa...


Leia também:
Coincidências
(primeira parte)




11.3.08

Sobre isso de distância...



Não estamos há muito tempo juntos...
Eu tenho a impressão - impressão não, certeza - que parece bem menos.
Deve ser porque nos vemos pouco né?
Não é fácil assim o ir e vir entre RJ X RS. Nem barato... Infelizmente!
E nesse meio tempo, ouvi perguntas do tipo: "como é que você aguenta".
A resposta é simples: eu não aguento!

Tem aqueles dias que a saudade aperta e o coração fica pequenininho.
E isso é bem fácil de acontecer, já que a maior parte desse coração ficou lá com ele.
Sempre tem aqueles dias que alguma coisa, por menor que seja, nos trazem uma lembrança, um momento, e a saudade fica mesmo insuportável.
Aqueles dias 'á flor da pele', sabem? Que qualquer beijo de novela faz chorar – ainda que eu não veja novelas! (é só o conceito, não o ato ao pé da letra).

Me perguntaram também se temos algum pacto de fidelidade. [WTF?]
E se 'sim', como vou saber se ele honra com esse compromisso.
Confesso que não entendi e que fiquei bastante irritada com o questionamento!
Pois então, como funciona isso? "O que os olhos não vêem o coração não sente"?
Ahhh sente... Ô se sente!

Todo relacionamento é complicado. Relacionamento á distância, então, nem se fala.
É difícil e exige um nível a mais de maturidade, é uma outra linha de pensamento, é um nível acima do usual, do metódico, do habitual...
Você precisa ser uma pessoa prática, centrada, porque a insegurança fica mesmo maior quando você está longe.
Mas não aquela insegurança de mulherzinha que gosta de complicar a vida do parceiro - não é disso que eu falo, porque se me desculpem a sinceridade, esse tipo de insegurança é briga de egos, pura vaidade.
Eu digo que, nenhum relacionamento está livre de riscos, perigos, falhas...
A parte da maturidade, entra em saber que quando duas pessoas assumem um compromisso, (qualquer um - seja afetivo, profissional ou o que for), o que consolida não é um aperto de mão, um beijo ou uma assinatura reconhecida em cartório e sim o caráter de cada um.
E ao falar de caráter, eu acho que já respondo a pergunta do amiguinho que questionou 'como vou saber se ele honra' o compromisso que temos.

Confiança não é comprada em mercado, não vem selada em abraços e não é construída com palavras. Palavras vêem e vão, o vento leva e são esquecidas. Confiança é estruturada no caráter da pessoa. E com confiança, nasce uma relação equilibrada.

Se eu sinto ciúmes? Obvio que eu sinto! E não tenho vergonha de admitir pra quem quer que seja. Nem pra ele.
Mas uma coisa é sentir ciúme e outra coisa é ter crise de infantilidade emocional.
Ciúme não deve escravizar ninguém: nem o ciumento nem o causador do ciúme.
Sabe? As pessoas são livres e não querem estar com ninguém por obrigação. Amor não é prisão!
Não fazemos joguinhos, não plantamos dúvidas infundadas, não ficamos nos testando.
Mulher tem mania de querer complicar as coisas, de se estressar com detalhes, de exigir perfeição, atenção - eu acho estupidez!
E acredito que respeito e sinceridade são o que mais importa.
Eu confio nele, confio em nós, confio no nosso amor e pronto.

Sempre fomos ótimos amigos. Sempre conversamos sobre tudo, temos afinidades, já nos conhecemos muito bem, antes de namorarmos. Com isso, algumas etapas chatas nós pulamos.
Eu sei do jeito dele e ele sabe do meu. Não é legal? =)
Continuamos amigos, antes de qualquer coisa.
Eu deixo ele participar da minha vida e ele me deixa participar da dele.
Me preocupo com ele, com as questões que o envolvem, com o que pensa, com o que sente, compartilho o que me acontece, presto atenção nos conselhos que me dá, gosto de ler tudo que ele escreve, admiro seu caráter, sua personalidade, respeito as diferenças, respeito a pessoa que ele é, rio das coincidências... Amo!

Certa vez, um fake deixou um recado no meu orkut dizendo: "quero só ver até onde vai esse relacionamento á distância".
Bom, a resposta também é simples: vai até onde acabar a distância.
Depois disso, deixa de ser 'á distancia'.
Porque sem dúvidas, é uma situação temporária.
Não sei o tempo que vai levar, mas é temporária! =)
O plano é fazer da distância um aprendizado, pra através dela ter certeza do que se quer, amadurecer o sentimento, aprender a sonhar mantendo o pé no chão pra correr atrás do objetivo, aprender a valorizar os bons momentos e entender como tudo é muito raro, muito urgente, muito precioso pra se perder por banalidades.

Sim, as pessoas perdem coisas valiosas por não reconhecerem o quanto são preciosas.
E o que é importante, na verdade, são coisas simples, pequenas.
Pode ser um telefonema, uma sms que te acorda de manhã pra dizer que ama ou que está com saudades, um e-mail carinhoso ou um recado secreto por depoimento no orkut, é sentar no sofá pra ver um dvd ou ler um livro de frases românticas, um telefonema rápido de orelhão (interurbano pra celular é bem rápido, sabem?) um beijinho enquanto o sinal não abre, calar a boca pra escutar um sorriso, ter que desembaraçar trezentos nós do cabelo, acordar sem fazer barulho pra ficar olhando o outro dormir...
E principalmente, viver o lado bom de tudo!

A saudade é ruim? É! Machuca? Muito! É difícil? Á beça!!!
Mas quer saber se eu trocaria por quemquerquefosse? Acho que sabem a resposta...

E são só três meses... É pouco tempo.
E pensando nisso, eu acho que faz ainda menos tempo.
Mas se for contar a maturidade desse namoro, de certo, parece muito mais!
Como vocês bem sabem, o tempo é relativo!





Por tudo que você é, pelo que não é e pelo que ainda vai ser: AMO!





Eu não ia deixar
passar em branco,
notem!

4.3.08

Desde aquele dia...


Eu deveria lembrar, mas não consigo deixar de esquecer. É que eu ando com a cabeça assim, a mil - ainda que o corpo continue em ponto morto. Eu só lembro do que queria esquecer e o que queria esquecer é aquilo que deveria lembrar e não consigo. Ou será que não é nada disso?
Não sei, tenho andado em círculos, tenho falado bobagens e saio por ai cantando aquelas canções detestáveis - aquelas que grudam na cabeça da gente... Mas eu me lembrei daquele dia. Aquele dia com a legenda de "melhor esquecer" e lacre de "não olhe aqui".

Desde aquele dia que eu não sei mais se compro Omo ou Assim, porque não sei quem lava mais branco e também só compro Bombril porque quando vou comprar Assolan, lembro daqueles comerciais medíocres e fico com raiva. Desde aquele dia eu não compro mais Todynho, porque é o Nescau que tem a energia que dá gosto.
E cá entre nós, eu ando precisando de energia.

Eu estava pensando no Harry - no Harry do Herman Hesse.
Não sei porque, mas pensando em você eu acabei me lembrando dele.
Fico com vontade de dizer exatamente o que Herminia disse a ele e jogar na sua cara que você não é louco, mas que tem um jeito estúpido de viver. E entenda por estupidez, o sentido Aurélio da palavra, porque eu não estou nem aí pra ficar criando metáforas bonitinhas que você, muito provavelmente, não vai entender.

Penso no Harry, na Hermínia e em você.
Desde aquele dia, que você foi ficando mais parecido com o tal lobo da estepe. Desde aquele dia, que as horas passaram erradas e os ponteiros ficaram meio atravessados, meio confusos...
Lembrei das palavras... Aquelas palavras mal ditas soaram tão pungentes que me dói relembra-las.
Eu esqueci que eu acreditava nas estrelas dos teus olhos. Talvez eu fosse ingênua demais. Ou talvez, você veio se corrompendo no passar dos dias. E aquele meu cinismo que eu nunca consegui controlar deve ter te conduzido ás ironias que você teima em dizer.
Mas eu não ouço... Juro pra você que eu não ouço.
Ou então, se ouço não registro - e deve ser por isso que eu me esqueço de tantas coisas.

É a tal trava de segurança.
Quando vejo algo que pode me atingir, abstraio.
Simples assim.
Simples como você não consegue ser.
Sabe, você é patético.
Você quer dominar os sentimentos das pessoas e não consegue ao menos controlar os seus.
Você quer manipular, você quer controlar... Mas onde esta o seu controle?
Cadê o chão embaixo dos seus pés?

Desde aquele dia que coisas sem sentido ganharam novas interpretações
E eu falo de você, mas eu também me corrompi. Talvez não no sentido Aurélio da palavra - eu posso criar um sentido mais ameno pro verbo, porque estou falando de mim e não de você.
A vida veio e me deu um empurrão, o destino [sim, ele existe] me apontou na rua e riu da minha cara de boba, porque ele sim, continua brincando comigo.
E o destino, mimado, não sabe a hora de parar - e eu que aprenda a lidar com ele.
Ás vezes parece que o mundo inteiro quer me tragar, me estragar e transformar aquilo que é vida em névoa, sonhos desfeitos...
E cada sonho que eu resonho*, reponho e refaço, aparece um cinismo na minha mania de realidade pra dilatar minha alma
Isso deve ser coisa sua... Deve ter um dedo seu no meu botão de start.
Mas não importa o tanto de areia que joguem na minha fogueira - um dia eu junto tudo, jogo água e construo uma praia.

Sei que você acha que eu ando por ai maquinando planos infalíveis, te vigiando em cada esquina esperando o momento certo pra te atacar.
E eu acho engraçado que você se esconda tanto, sem saber que eu já não te busco!
Creio também, que o mesmo aconteceu com você.
Só falta você se dar conta
Só falta você perceber que aquele comercial de margarina jamais aconteceria nas manhãs de tempestade em que acordávamos.

Somos dois, não somos "nós"...
Nós desatados no porto, navios prontos para partir, mar inteiro pra navegar.

No Ipod, sem querer, a mesma canção daquele dia...
E desde aquele dia eu entendi o que esses versos querem realmente dizer...
Mas é tarde demais.




*Neologismo Carolistico:
Ato ou efeito de re-sonhar,
sonhar novamente...

**Nota de Rodapé:
A Autora deste blog não recebeu
um centavo pelo jabá gratuito

***Um Aviso:
Para todos e especialmente para a Rachel,
que perguntou:
ESSE texto NÃO é sobre minha vida atual!

Estamos muito bem, obrigado!

Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
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