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5.6.14

Heróis Anônimos

Vi esse vídeo em algum blog que não me lembro mais.
Quando soube que era campanha publicitaria de companhia de seguros, perdi o interesse e acabei não vendo.
Porém o link do youtube ficou aberto em uma aba (costume de clicar em 'ver no youtube' pra abrir tela maior - nunca vejo os videos no próprio blog).

Daí que resolvi ver agora e estou: emocionada.

O nome da campanha é Thai Good Stories e foi feita para mostrar pessoas generosas, genuinamente boas e que não esperam recompensas de seus atos.
Obviamente, não dá para entender nada no site e no Facebook, mas o vídeo tem legenda em português.

Apenas vejam!

Cadê lencinho? =')

Ps: Follow my blog with Bloglovin

17.6.13

Silêncio

Fotografia: Carol Rodrigues

"Perdoe-me a indelicadeza, a maneira bronca no convívio humano. Falta-me a consciência de amar. Sobra-me o medo de ser mal entendida. Tenho limitações bobas que não se explicam com definições. Tem um dicionário inteiro de termos ainda não criados para falar sobre mim. Não sei o que, não sei o motivo, não sei como. Não explico, nem me importo. Apenas sou. E isso tem que bastar.
Você me pergunta se eu não tenho coração. Eu tenho. Se você não consegue ouvi-lo é porque não faz ele bater. "

Verônica Heiss

1.1.13

Cometa bobagens em 2013

Fofocas
Foto: Carol Rodrigues
"Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Dispute uma corrida com o silêncio. Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento. Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho de rio. Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta. Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodado. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça. Cantarolar uma música ainda sem letra. Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. Almoce sozinho para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade."

-Fabrício Carpinejar



Feliz 2013!


Ps: Não trabalhamos com a certeza que o texto seja mesmo do autor mencionado.
Não encontrei o texto no site/blog dele nas buscas que fiz pra confirmar a autoria.
Fica a dúvida, vivam com ela. ;)

6.10.12

Explosões

Esperando...
Foto: Carol Rodrigues

"Não tenho nada a ver com explosões", diz um verso de Sylvia Plath.
Eu li como se tivesse sido escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos.

Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos, ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem. Não me sinto à vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta. Ou para permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.
Não tenho nada a ver com o que é dos outros, sejam roupas, gostos, opiniões ou irmãos, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve, não tomo emprestado nem me empresto. Se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho, tenho vida própria e suficiente pra lidar, sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.
Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica, um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil.
Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo. Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas.
Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.
Minto, tenho tudo a ver com explosões.






Marta Medeiros

26.12.11

Da minha letrista


Eu estava convencida de que não postaria mais aqui no blog até 2012.
Daí minha amiga Vanessa Finizio resolveu ressussitar seu blog abandonado só pra dizer um monte de coisa que eu também queria.
Já sei porque não tenho o que dizer. Ela roubou! E como ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, roubei dela na cara de pau. Mesmo porque, duvido que eu vá viver mais que cem anos. rs


29/365 nostalgic mood
Foto: Melina Souza

"Depois de muito tempo, escrevo.
Queria que você não se incomodasse com a ferrugem das minhas palavras: faz tempo que não são usadas, não assim. Elas passaram muito tempo sendo atiradas pela minha boca sem preocupação, de maneira descuidada.
Eu tinha pressa de viver. Muita coisa mudou e eu só queria correr e falar o máximo que eu podia, aproveitar cada segundo.
Acho que eu esqueci de mim. Você lembra?
Não sei onde eu estou, acho que me guardei em alguma gaveta e não lembro exatamente qual. Acho que não sabia o quanto eu devia me cuidar, afinal para correr era necessário carregar o mínimo de peso possível.
Você acha que eu posso estar debaixo na cama? Ou naquela porta mais alta do armário?
Se você me achar, me avisa. Tô precisando muito de mim. Quero me vestir, orgulhosa, e sair comigo na rua pra que todos possam ver. Tem gente que ainda não me conhece. Eu sempre conto como sou, mas algumas pessoas não acreditam que eu exista. Vestem-me com outras personalidades que julgam servir em mim...
E bem, só a gente sabe o que serve na gente, não é? Eu me prefiro.

...

É, definitivamente eu sinto falta de me sentir. Estou muito sem graça assim, sem mim. Não quero mais correr. Vou procurar no sótão, lá é onde ficam as maiores preciosidades. Quando eu me achar, eu te aviso.
Eu sei que você vai querer ver como eu estou."

Vanessa Finizio



Van, sua... sua... humpft!
#despeito
Te amo. rs

9.8.11

N2O

Desconheço a autoria


Peso uma tonelada. E nem sei porque, não sei o que de tão pesado tenho aqui dentro. Acordo todo dia exausta de carregar tanto peso. Dou passos lentos, pois tenho a sensação de que irei afundar a calçada se ir mais rápido. Às vezes acho que estou diminuindo de tanta coisa nas minhas costas, que passarei a andar curvada, aquela curvatura que tem os derrotados, os medíocres, os medrosos. É tão mais fácil se esvaziar se a gente soubesse de onde vem tanto peso. Eu vejo pessoas leves andando na rua, daquelas que muitas vezes pesam muito, mas olhando você acha que levitam. Cheias de gases só pode. Daquele gás do riso. Porque riem de tudo, como se vivessem dentro de uma bolha cor de rosa que flutua. E eu aqui só cheia de concreto. Pois quando começamos, mesmo que involuntariamente, a realmente enxergar as coisas é difícil continuar leve, o abstrato vira concreto e concreto é cimento. Tanto cimento assim jogado em você te endurece, te pesa e te faz perder o poder de ser leve. Quando foi que comecei a enxergar coisas que não enxergava antes. Porque raios a gente tem que abrir os olhos nessa vida medíocre que a gente leva? Quem foi que disse que ser realista é bom? Bom mesmo é achar que a camada de ozônio não acaba nunca, que Papai Noel existe, que chocolate diet não engorda, que mercúrio cromo cura tudo, e que mertiolate arde, mas é melhor. Alias hoje nem mertiolate arde mais. Acho que tem tanta coisa que nos faz arder inteira que quiseram aliviar nesse lado, já se pode curar os ralados sem dor. Mesmo que você queime por dentro. Eu sinceramente preferia quando mertiolate ardia por fora e eu era brisa por dentro... Cheia daquele gás do riso que não consigo lembrar o nome, mas com certeza sabia, quando era eu que flutuava por ai, pensando porque essa gente toda vive curvada...



Texto descaradamente roubado da Jana, amiga querida que escreve o blog Entre-tantas eu Estava salvo aqui no pc e não aguentei, tive que postar. Não pedi nem autorização, mas a Jana não briga comigo não. Estou certa disso hahaha Roubo, mas dou os créditos - sempre =P



Jana, não tenho mais o link direto desse texto especificamente.
Porque você sabe, né? Eu tenho um monte de textos seus salvos aqui comigo.
É muita identificação pra pouco blog.
♥

19.7.11

Quando o amor chegar




Quando tu trouxeres o teu amor, traga-o por completo. Traz o teu sorriso doce, mas também a tua lágrima de incompreensão quando o teu chão cai. Traz o teu carinho singelo, mas também os espinhos do teu mundo. Traz a urgência das horas, a tua palavra seca ante o medo, o teu silêncio quando a dor fala mais alto. Traz o teu passado, sim, ele é importante, e me diz muito do que és hoje. Traz todas as tuas cicatrizes e não me esconda nenhuma delas, conte-me cada história, o porquê, cada razão dessas marcas na tua pele, no teu coração. Traz que eu vou ouvir, eu vou ouvir como quem decifra o inesperado, o novo, como quem quer ir mais longe do que a palavra, o abraço, o beijo, além. Mostra-me sem receios, porque sei que há de ter muito mais de mim do que penso nas frestas, nos vincos, nas dobraduras da tua alma, e isso é bonito e único. Portanto, traz o teu amor simples, puro, aberto e, sem medos, sem esconderijos, coloca-o diante dos meus olhos e encosta no meu peito os teus dedos, os teus temores e a tua verdade, porque o amor que eu quero viver precisa ser inteiro.

Texto lindíssimo da minha amiga Thaline Martins. Texto que diz (ao menos pra mim) muito mais do que está escrito. Roubei lá do blog dela: o Essência. Mas roubei com consentimento dela. Aí pode =)


Thaline, querida, obrigada por permitir postar aqui no Expresso.
Você, como sempre, escrevendo serenamente bem =)


Imagem: Encontrada no We♥It
Desconheço autoria

12.6.11

A única lição...



"Todo esse tempo de dor que eu passei andando por aí, todo esse tempo que eu tentei gritar a palavra amor bem alto. Pra ver se me convencia de uma vez do significado implícito nessas quatro letras. Esfregando na cara das pessoas as coisas boas que eu tinha, mas não conseguia mostrar.
Até que o tempo enfim foi me vencendo, sob o olhar condescendente das pessoas que eu mais detestava.
É duro reconhecer que todo esse sofrimento foi em vão, porque não existe vida quando a gente está triste e só e ninguém quer saber de quem está por baixo.
Não vale a pena sofrer, meu amor, de tudo o que eu passei, essa foi a única lição (...) Tem coisa que eu deixo passar. Não vale a pena. Tem gente que não vale a dor de cabeça. Tem coisa que não vale uma gastrite nervosa. Entende isso? Não vale.
Não vale dor alguma, sacrifício algum"
 


Cazuza




Acho que não preciso dizer mais nada, né?

8.6.11

Namore uma garota que lê

154/365 i live in my own fairytale
Foto: Melina Souza
Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.





~De Rosemary Urquico
(Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura)

Peguei descaradamente daqui, que por sua vez, pegou daqui, que tinha pego daqui.
E se você se identificou, pode pegar de mim também =)




Ps: Obrigada Denny Viana, por ter me mandado o texto.Obrigada principalmente, por dizer que lembrou de mim quando leu *-*

27.5.11

É isso


Amar é Punk
(Texto e interpretação: Fernanda Mello)


"Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star.

Uma coisa meio Dave Grohl.

Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é DIFERENTE).

Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.

Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.

Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, CARAMBA! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.

Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. Amor é RECONSTRUÇÃO. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios.
Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”.
Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio!

Ah, Cazuza! 

Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.





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Quando eu vi/li esse vídeo/texto a primeira vez, eu pensei: Caramba, é isso!
É o tipo de coisa que você sabe que tá ali, te descrevendo, mas não por completo, porque afinal, não foi você que escreveu. E também porque você ainda não encontrou esse tal amor.

Mas você sabe, embora desacredite de si mesma todos os dias, que ainda há de encontrar esse "amor pra vida", porque de paixões você já está farta. Porque pras paixões, você não tem mais paciência, idade e nem saúde. Talvez isso soe um tanto otimista para os meus padrões.
Mas aqui, eu entro na mesmíssima questão que abordei nesse post sobre esse outro vídeo: Trata-se de uma esperança que ele (o vídeo) esteja certo. Que sim, é possível. E que graças a Deus, é você (eu) e suas (minhas) convicções pessimistas que estão erradas.
Sei que amanhã já vou ter me arrependido de dizer e confessar esse tipo de coisa e ir tão contra a missa que eu prego todo dia. Mas a verdade, aquela que não conto nem pro meu alter-ego, é que eu (sinceramente) gostaria de acreditar que pode ser diferente.


Quero mais é quebrar a minha cara.




Tô corajosa hoje, heim?

12.5.11

Nós e a nossa falta de música



Eu não saberia lhe explicar a minha pressa pelas coisas. Todo dia faço minhas malas, mudo de uniforme, visto outra canção, forjo maturidade, me divorcio do amor da vida e me apaixono por quem não conheço. De uma forma ou de outra, estou sempre partindo. E não culpo esse ciclo inevitável e louco das vontades. Não culpo o cigarro, o café e tampouco a programação da madrugada. Minha ansiedade não tem nome. Ainda sou moldura vazia. 

Das viagens diárias que faço, comecei a cultivar em mim uma inesgotável saudade do passo seguinte, mesmo que ele seja para trás. E ultimamente, as portas têm se mostrado cada vez mais à sombra de meus calcanhares. É como se eu andasse pra nunca chegar onde sempre almejei. É estranho, admito. Tão estranho que é impossível não buscar o isolamento. As luzes lá fora me desafiam a cada instante e meus olhos não suportam mais o brilho da espada. 

Fuga: quem poderia te condenar no meio de tantas correntes? 

Por que dizer que fugir não resolve se é fugindo que meu coração pulsa de verdade? É correndo de encontro ao desconhecido que meu sangue ferve e meu rosto cora. É fantasiando o meu destino que consigo transcender a fantasia. 

Ontem mesmo, ao ligar a TV, me deparei com um bombardeio de notícias sobre os cada vez menos variados temas: futebol, religião, política, dicas de beleza, dicas de moda, dicas de alimentação, reality show, casamento real e mais dicas: de saúde, de roupas para a estação, de baladas, de leituras... Nada além divagações sobre o grande boteco de esquina do mundo. Nada muda e isso nos traz uma sensação surda de perfumaria.  

É por isso que parto diariamente. Há um túnel invisível e em constante movimento entre meu corpo e o instante seguinte. O sonho da semana passada é a obrigação da semana que vem. A massa de modelar da infância é o projeto arquitetônico da vida adulta. 

E como nos tornamos cada vez mais chatos e sem brilho! Até quem se julga o espelho da juventude não consegue dar vez ao silêncio para simplesmente apreciar a sabedoria do amigo ou a inocência da criança, sem saber que a ausência delas nos torna seres violentamente insuportáveis. Apenas nós e nossa falta de música. 

Sim, nós e nossa falta de música.





Texto do meu amigo, escritor, poeta, músico e companheiro de madrugadas insones no msn, Ithalo Furtado. E nasceu de uma conversa sobre as angústias que nos afligem. Acreditam?
Vocês podem conhecer o trabalho dele no Poesia Diária e agora também no Trama Virtual
Sou suspeita pra falar mais, porque de um cabra que se inspira em bobagens ditas no msn e escreve uma coisa linda dessas...
Só posso mesmo é copiar, colar e mostrar pra todo mundo!
E que não nos falte música! Nem poesia!


Bjos Ithalo!
Adorei, viu?

21.10.10

Sabe?


Millena Reinert




Então, quando você me beijar, vai sentir o gosto da minha escrita, pois a fim de nunca esquecê-las eu trago todas as minhas palavras na ponta da língua.
(Rita Apoena)




*da série:
"puta merda, porque não escrevi isso antes?"

12.4.10

Das coisas que queremos ouvir


Reflections of a Skyline



E então, a gente fica imaginando: será que terei isso um dia? Será sonho? Será utopia?
Seja o que for, é lindo.
Mas eu preciso confessar que eu chorei feito uma menininha que perde o balão de hélio quando assisti pela primeira vez. E mandei para as amigas só pra ter certeza que eu não seria a unica.
Todo mundo com cara de quem ganhou chocolate na páscoa e em seguida uma criança maior veio e roubou.
Simples assim. Como a sensação do chão sumir bem debaixo dos pés.



Não é lindo o sotaque britânico?




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31.3.10

Meus hábitos de leitor

Não, eu não leio assim!

Há um tempo atrás, o Alessandro Martins publicou em seu blog uma lista dos seus hábitos de leitor. Como eu gostei da idéia, resolvi escrever os meus também e peguei carona no post dele!


• Eu amo livros e tenho orgulho disso! Amo os livros que eu tenho, os que não tenho e os que ainda vou ter. Quero criar meus futuros filhos como minha mãe me criou: incentivando a leitura desde pequeno.

• Leio mais de um livro ao mesmo tempo. Geralmente leio um ou dois livros e um ebook. Prefiro os livros, mas não tenho problemas em ler no computador.

• Cuido muito bem dos livros que me emprestam ou que pego em bibliotecas. Não amasso, não rasuro, não rasgo e não dobro. Trato como gostaria que tratassem os meus, se fosse o contrário.

• Adoro marcadores de livros! Coleciono alguns e sempre aceito outros de presente de muito bom grado =D

• Eu tenho muito ciúme dos meus livros e não gosto de emprestá-los.  Fico doente de ódio quando não me devolvem, quando demoram a devolver e quase mato se o livro voltar danificado. Já parei de falar com pessoas por conta disso, então pra evitar essas situações, evito emprestar. Sou egoísta! Ponto.

• Às vezes compro uma edição nova de um livro que eu já tenho. Principalmente se o meu estiver velhinho (aí troco o velho por algum outro).

• Não pratico desapego com meus livros. Nunca faço doações com eles.

• Tenho orgulho da minha estante repleta de livros e adoro organiza-la, re-organiza-la e etc...

• Quando o prefácio já não é o início da história, só leio ele quando termino o livro. Assim como os agradecimentos e informações adicionais.

• Tenho mais livros que espaço pra eles e quero sempre comprar mais. Não me controlo com a compra de livros (e acho que é um consumismo, ao menos mais saudável).

• Acho estranho quando vou na casa de alguém e não vejo livros.

• Não gosto de leituras do tipo Harry Potter, Senhor dos Anéis, Crepúsculo, e histórias de vampirinhos ou outros bichinhos do mal.

• Às vezes insisto muito numa leitura. Outras vezes releio livros que abandonei há tempos. Só abandono de vez depois de algumas tentativas.

• Costumo reler livros que eu tenha gostado.

• Gosto de dar livros de presente, mas apenas quando conheço o gosto da pessoa.

• Sempre que pego um livro, dou uma olhada na sinopse, no prefácio, nas orelhas e passo os olhos pelo primeiro capítulo. Assim decido se compro ou de baixo o ebook.

• Em livrarias, fico injuriada quando pego um livro lacrado.

• Resenhas e críticas desfavoráveis não me fazem desistir de um livro. Prezo a minha opinião.

• Às vezes compro livros pela capa. Até hoje não comprei um de que me arrependesse.

• Já troquei livros que ganhei e não gostei.

• Adoro bibliotecas mas raramente vou nas da minha cidade, porque são todas longe da minha casa. Também adoro livrarias e queria ter uma!

• Gosto de ler na minha cama, antes de dormir ou de tarde quando quero relaxar. Às vezes leio em voz alta pra compreender melhor o que está escrito.

• Leio em público. Sempre leio no ônibus (nunca tive dor de cabeça), no trem, no metrô, enquanto espero alguém...

• Odeio papagaios de pirata que ficam lendo por cima dos meus ombros.

• Tenho prazer em folhear livros e sentir seu cheiro.

• Adoro ler livros infantis e infanto-juvenis. Também gosto de ler peças de teatro. Raramente leio livros de poesias.

• Às vezes, com sono, leio sem me concentrar e percebo que não entendi nada. Aí volto com a leitura uma, duas e até três páginas antes.

• Não consigo ler com música de fundo. Ou leio ou escuto música. Se tento fazer os dois, me pego lendo superficialmente e/ou cantando a música.

• Não marco ou rabisco meus livros. Tenho um "diário de leitura" onde anoto coisas que eu queira guardar ou registrar.

• Tenho vontade de bater quando vejo alguém dobrando, rasgando ou estragando um livro.

• Chorei com uma amiga minha que perdeu as caixas de livros na mudança/obra da casa.

• Gosto de conversar sobre livros. Gosto de encontros literários, leituras em grupo, leituras dramatizadas e encontros de leitores. Lamento que o grupo de leitura que eu participava tenha acabado e hoje em dia participo de um por email =)



Aposto que você se identificou com alguns dos meus hábitos.
Quer conversar sobre isso? 

3.5.09

Para Maria da Graça


~Texto de Paulo Mendes Campos


Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.


Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo , pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.


A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.


Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.


Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato.
Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?" 



Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste.


Disse o ratinho: "A minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.


Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo" Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.



E escuta a parábola perfeita: Alice tinha diminuido tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. 
E como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor.



Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.


Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá.A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".


Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida:
É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.


Texto denso, tenso, com aquelas verdades irremediáveis que vez-em-quando precisamos ouvir/ler. Recebi por email da Guilherminda quando postei a última vez sobre Alice!
Tava querendo postá-lo no blog há tempos, mas eu ando meio sem tempo de vir/ficar aqui =/

13.5.08

Drogas

Drogas. Quem não gosta? Eu me amarro. Neste exato minuto, agora, agorinha, eu tô me enchendo de café. Depois do almoço vem aquela moleza, aquela vontade de não ter vontade nenhuma, de dormir, de se sentar à sombra da primeira árvore que aparecer, deixar a aba do boné sobre o rosto ou encobrir o rosto todo com o gorro e dormir. Falando em dormir, uma observação é necessária: há uma diferença entre "ir dormir" e "adormecer". É melhor adormecer do que dormir. Ir dormir soa muito ativo, muito trabalho, sabe? Já adormecer é diferente. Adormecer é deixar-se ir, é sucumbir à força implacável do cruel estômago cheio e pesado, que tortura você com uma contínua, silenciosa e bovina vontade de cair no chão, à sombra do pé-de-árvore, e padecer de um sono com cara de pseudo-coma pós-feijoada. Isso é adormecer. E isso, sim, é que é bom. Adormecer não é perceber que está quase dormindo, é acordar e pensar "caraca, dormi como uma pedra". Quem adormece não sente que caiu no sono, quem adormece percebe, quando acorda, que se entregou a uma força irresistível e incontrolável, uma coisa grande e sadia chamada sono, o verdadeiro sono, aquele sono que recarrega, revitaliza, restaura, revigora. Mas voltemos a falar de drogas. Quando dormir não é possível, eis que a solução são as drogas. Na verdade, uma só droga resolve. cafeína. Aquele momento pré-adormecimento, aquele momento em que a gente se sente um ruminante, que nosso corpo está assim, lento e pesado, mas nos é vedado o prazer de deixar o corpo comandar tudo e se entregar de vez aos desejos dessas pálpebras pesadas que teimam em tapar nossa visão, enfim, neste momento é que a cafeína entra em cena e todo o ritual de encher a xícara, jogar açúcar, pegar a colherzinha e mexer circularmente, ouvindo a música que cada batidinha da colher no interior xícara faz, acompanhada por aquele cheiro de inebriante do café, que vem dançando com a fumaça em coreografias improvisadas, enfim, todo o ritual de preparação dá início a uma nova onda, bem diferente daquela que sentimos antes, a do sono. Agora as coisas mudam. Agora o café esquenta os lábios, a língua e todo o interior da boca, queima só um pouquinho a garganta e aquece o corpo todo, começando, assim, a afastar aquela moleza pós-almoço. Depois é a vez da cabeça! De repente, aquela sensação de leveza mental que acompanha e compensa a sensação de corpo pesado é substituída por uma firmeza da mente que se manifesta na própria maneira de olhar o mundo em volta: se antes as pálpebras insistem em deitar e cobrir nossa visão, agora elas se mantêm firmes, rijas, acompanhadas pelas sobrancelhas, que se encostam um pouco mais uma da outra, compondo o cenho do qual o olhar alerta é a maior expressão. O corpo se sente preparado para correr a qualquer minuto e os pulmões inflam.



Um texto fantástico e um pouco antigo do meu amigo Guilherme Montana, que eu reli esses dias pelo feed, roubei sem autorização e postei aqui no blog como se fosse uma intervenção dele mesmo, porque o texto tem tudo a ver comigo e com esse blog!


Ahhh, Gui. Feliz niver atrasado =o)



Apropriações sem autorização:
-Cuidado, você pode ser o próximo!

Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
Expresso pra Dois © Todos os direitos reservados :: Ilustração por Rafaela Melo :: voltar para o topo