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5.10.15

Eu, as pessoas e os livros

Esses dias estava falando sobre técnicas de organização com uma amiga. Falava sobre um jeitinho que aprendi a dobrar as roupas pra visualizar melhor as peças na gavetas, quando a pessoa solta um raivoso: "Você deveria se livrar de tantos livros, aí você ia ter mais espaço pras suas roupas".


Existem três coisas que eu não consigo entender nesse mundo:
1- Pessoas
2- A necessidade das pessoas de se incomodarem com a vida dos outros
3- Pesso... não, são duas mesmo, não sei fazer contas!

Sabem, já me aborreci muito com esse tipo de gente, mas hoje eu simplesmente não importo. I really don't care! Principalmente e especialmente em casos de opiniões não solicitadas e, muitas vezes, agressivas.
Custei a perceber como algumas pessoas se incomodam em demasia com a vida e as escolhas das outras. Nesse caso, a pessoa estava incomodada com meus livros. Pausa, rebobina: MEUS LIVROS. Ficou claro?

Saca essa falta de noção, minha gente! 
Ninguém tem o direito de dizer como eu (e vocês) devo organizar minha vida, comprar minhas coisas, comer, me vestir, usar meu cabelo, pensar, ler, nada, nadinha... E pensando em como a opinião da colega vai influenciar minha vida daqui pra frente, fiz uma lista com vários nadas. E eu não vivo com a cabeça dos outros, vivo com a minha, graças a deus. E isso já me dá trabalho pra caramba.
De modo que: penso que cada um faz o que quiser da própria vida, né mesmo? 


Ah lá o Darth Vader sendo feliz nem aí procês, óh

-Ai Carol, mas você usa esses livros pra fugir da realidade...
-Me prova que a realidade é melhor.

Não pessoas, leitores que se enfiam num livro atrás do outro não estão fugindo da realidade. Eu continuo pagando minhas contas, sendo adulta (mesmo sem vontade) e estudando pra ser alguém na vida. Lavo roupa, louça e a bunda sozinha. Eu tenho cá para mim, que pessoas que leem muito tem TANTA consciência da realidade que as outras tanto cospem, que tirar férias de vocês é uma atividade muito bem vinda. Mas, MESMO SE eu estivesse usando livros pra fugir da realidade, que importa? De quem é a vida mesmo? Só pra recapitular... minha, né? Então, mais uma vez:


Agora que essa parte já ficou clara, eu fiquei pensando um pouco na minha relação com os livros.
Não que eles sejam a minha "fuga", mas sempre foram uma espécie de refúgio. Será que essa imagem fica clara? Não lembro como foi que me tornei uma leitora. Minha mãe e meus tios sempre compravam livros pra mim. Livros e revistinhas em quadrinhos, que eu colecionava e relia, relia, relia...
Meu primeiro cartãozinho de sócia de biblioteca foi uma das coisas mais felizes que me lembro de ganhar. Na adolescência (e agora na idade adulta) sempre tinha um livro comigo.
Algumas vezes, usei de livros para entender o que sentia. Outras vezes, para esquecer do que estava pensando. Escapei para mundos mágicos, passei por desventuras, entrei em armários que davam em outro mundo, conheci vários pedacinhos do mundo através de personagens que ganharam meu carinho para sempre. Falo deles com orgulho de os ter conhecido. 
A leitura me fez crescer, me  fez mudar de opinião, me fez entender as pessoas e o mundo a minha volta. A leitura fez mais por mim do que conselhos vazios de quem acha que entende a vida melhor do que eu.
Os livros me trouxeram amigos que compreendem essa paixão e que me chamam pra dizer "olha, acabei de ler o livro que você me indicou" ou "estou te mandando esse livro porque você vai gostar dele" ou ainda "que livro maravilhoso, obrigada". Para mim, não existe maior prazer que ver uma pessoa gostar de um livro que eu tenha indicado. E esse é um dos motivos que me fazem escrever resenhas aqui ♥
Não é simplesmente indicar um livro, é indicar uma leitura que represente algo para alguém. Para vocês ou para mim.

-Mas pra que tantos livros? Você não vai ler isso tudo e ainda compra mais!

Sim, tenho mesmo muito livros e pretendo SIM ler todos. Mas sabem de uma coisa? Eu não tenho a mínima pressa, terei uma aposentadoria feliz e tempo bastante para ler, porque morrer logo não está nos meus planos. E continuo comprando sim, por um único motivo: eu quero.
Não, na verdade eu continuo comprando porque: o dinheiro é m-e-u.
Mentira, o único motivo é: o mercado literário não para não para não para não vai até o chão.
Tá isso também, mas eu continuo comprando, sobretudo, porque isso é problema meu! 
E porque SIM!
Ou seja: tudo isso, menos a opinião que não pedi. No fim das contas, se tem alguém preocupado em como gasto o meu (vejam bem, m-e-u) dinheiro, manda email que eu encaminho os boletos das minhas contas.

Um adendo sobre a minha economia pessoal:

Eu não tenho pena de gastar dinheiro com livros, não tenho pena de gastar dinheiro com comida.
Nem com viagens ou com coisas que eu goste de usar.
Tenho pena sim, de gastar com uma roupa que custa #300% a mais do que vale só porque tem uma etiqueta famosa, só para aparecer bonita no instagram com a tag #lookdodia, com maquiagens importadas que sei que vou esquecer de usar e sair todo dia só com o combo rímel + batonzinho mesmo, com sapatos que machucam os pés mas ficam bonitos nas fotos e demais bobagens que de nada me servem.
Viajando, comprando minhas bobagens, lendo livros e comendo eu fico: feliz. Olha que jeito legal de investir meu dinheiro. Então que tal todo mundo ficar feliz fazendo o que quiser da própria vida? Hum? Hum?


Agora, se você não consegue entender isso...


"Livros não mudam o mundo,
quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas."
Mario Quintana

13.8.14

Pra quem você conta seus segredos?

Olá amiguinhos
Eu vou começar o post falando de uma coisa, pra falar de outra e fechar com uma terceira. Estão preparados? Prometo não enrolar e nem me perder, dessa vez fiz até um roteirinho. Vamos lá?



• Pra começar, vamos falar da questão número um: "confiança".

Me respondam uma coisa: vocês sabem o que é confiança, o que é confiar? Vamos no Aurélio.

Confiar é: 1. Entregar (alguma coisa) a alguém sem receio de a perder ou de sofrer dano. / 2. Revelar. / 3. Ter confiança / 4. Ter fé, ter esperança. / 5. Acreditar / 6. Entregar-se cheio de confiança.

Agora respondam: em quem você confia? A quem você se entrega?
E quando eu pergunto a quem você se entrega, não estou falando (só) sexualmente não. Mas vocês já pensaram o quanto as relações humanas são dependentes de uma entrega? 
A relação que você com seus pais, é um entrega de amor, de aceitação. Não é não? A relação que você tem com os seus amigos, é um ato de entrega. Você entrega a eles a sua amizade, a sua confiança, as suas histórias, suas experiências... E você espera que eles se entreguem a você também, certo?
Em um momento você está entregando a eles uma experiência sua, em outro você está recebendo a deles.
Entenderam essa pate? Ok? Então vamos lá.
Para quem você se entrega?

-Eu me entrego em tudo que eu faço, eu confio no meu coração!

Ok! Você pode dizer isso. Então deixa eu falar mais um pouquinho.
Eu tenho visto por ai pelas redes sociais da vida, pessoas se expondo demais, se abrindo demais, se entregando demais. E o pior: para pessoas que sequer conhecem.
Eu estava participando de um grupo no Facebook, sobre organização e o que eu menos via nesse grupo, eram dicas de organização. Acho que 99,9% do grupo eram mulheres. E 99,9% dos posts, eram coisas pessoais que na realidade não interessavam a ninguém. Coisas como "olhem essas fotos da minha casa", "hoje cozinhei isso pro meu marido", "meu marido reclama que eu não faço nada direito, o que faço?", "estou triste porque hoje blablabla", "olhem isso aqui que comprei"... Fora os inúmeros pedidos de opinião para gente desconhecida sobre coisas íntimas. 
Oi? Na moral, gente? Pra que? 
Pela carência de falar da própria vida? Porque você não faz isso com quem é realmente seu amigo e em quem você realmente pode confiar?


• Aqui entramos na questão número dois: em quem confiar.

Você entra em um grupo do Facebook com 40.000 pessoas e começa a pedir opinião sobre a sua vida para aquelas pessoas que você nunca viu antes. Então você recebe centenas de comentários sobre a sua questão. Alguns são legais, porque existem muitas pessoas legais lá. mas muitos são escrotos, e vou te dar 3 razões pra isso:
1- Algumas pessoas são escrotas
2- Algumas pessoas têm prazer em pisar, em destruir, em sacanear e esculhambar com outros
3- Você permitiu isso

Quando você chega e pergunta algo, você está abrindo espaço para que respondam. Não é óbvio? E a pessoa pode responder qualquer coisa. Inclusive coisas que você não quer ouvir. Não dá pra ser ingênua e pensar que as pessoas vão ser legais porque você é legal, porque você é bonita, porque você está sofrendo ou porque você acredita nas pessoas. Algumas vão ser escrotas com você justamente por esses (e outros) motivos. Vide os nossos queridos haters.
Eu acho que isso se resolveria, simplesmente, sabendo em quem você pode ou não confiar.
Se você quer desabafar sobre os seus problemas, não faz isso no Facebook não. Procura seus amigos de verdade. Procura sua mãe, seu pai. Procura quem se importe com você, porque sinto lhe dizer, essas pessoas não estão nos grupos do Facebook. E aí não vou nem falar só dos grupos. 
Me respondam: vocês conhecem REALMENTE todo mundo que está na sua lista de amigos do Facebook?

O meu, por exemplo, tem gente que me adiciona por causa do blog, do flickr, do site, da loja da minha mãe que eu administro, por causa do meu trabalho de fotografia, porque é fã de algum artista que eu fotografei, porque é amigo de alguma modelo que fotografei... Enfim.
Eu que não vou chegar no meu Facebook e contar as minhas angústias, porque pra mim o Facebook é uma diversão, é um meio de manter contatos profissionais, de manter contato com amigos, de ver ideias bacanas nos grupos e compartilhar meu trabalho. Você já analisou quem está na sua lista de amigos do Facebook? Você sabe quem são seus amigos mesmo? Tipo MESMO?
Agora, se você não sabe em quem você pode realmente confiar, vamos fazer uma análise?
Vamos!

Eu vejo muitas pessoas dizendo "eu te amo" para pessoas que não amam.
Eu vejo muitas pessoas chamando de "amigos", gente que não conhecem direito.
Eu vejo muita gente contando segredos, pra quem não sabe se vai guardar, pra quem não sabe se pode realmente confiar, se conhece realmente essa pessoa.
Aí acontecem coisas do tipo: você conta uma ideia genial que teve, e vê a sua ideia sendo executada por outra pessoa. Você fala algo sobre alguém e a pessoa acaba sabendo o que você disse. Você conta o quanto acha um carinha sensacional e acaba vendo ele com a pessoa pra quem você confiou.
Isso pra pegar exemplos bem básicos, a coisa pode ser muito pior.


• Agora vamos entrar na terceira questão que vim propor: decepção.

A confiança que você tem em alguém, pode ser a sua ruína. A confiança é uma força e uma fraqueza ao mesmo tempo.
Quando você confia em alguém que confia em você, a relação é forte. É muito bom saber que você pode confiar, pode contar com aquela pessoa. E é muito legal quando você sente que aquela pessoa também confia em você. Mas quando a relação é unilateral, você está ali, entregando seu coração para a pessoa errada. Quando você se entrega para alguém, você fica vulnerável àquela pessoa. Você fica exposto a ela. Você corre o grande risco de ter sua confiança quebrada e se decepcionar. E não tem nada pior do que se decepcionar com uma pessoa que você confia.
Confiança quebrada é a maior decepção que você pode ter.

Eu já ouvi muita gente dizer "confie apenas em si mesmo". Mas a verdade é que nem a gente confia totalmente em nós mesmos. O ser humano é inseguro, precisa se reafirmar às vezes. Precisa ouvir opiniões contrárias. Precisa se contradizer. E além de tudo, o ser humano tem tendência a se auto-sabotar.
Que atire a primeira pedra quem nunca!
A gente vai amadurecendo e aprendendo a parar com isso, mas é humano e comum agir assim.
Então meus amores, se a gente não confia nem na gente 100%, porque entregamos nossa confiança a qualquer um como se fosse doce em dia de Cosme e Damião? 

A primeira coisa que você precisa fazer para evitar se decepcionar com as pessoas, é começar a confiar mais em si mesmo. A acreditar mais em si mesmo. 
Depois você precisa conhecer melhor as pessoas que você confia e ver se você pode mesmo confiar nelas.
E nem assim você vai estar livre de ter sua confiança quebrada e se decepcionar.
isso é importante dizer: você nunca estará livre de se decepcionar, mas precisa saber o que você vai fazer e como vai agir quando acontecer. (mas isso é outro papo)


• Agora que já falamos sobre confiança e em quem confiar, vamos falar sobre a quarta e penúltima questão: bullying virtual / cyber bullying.

Esse tópico reúne tudo que eu já falei até agora, mas principalmente que: você não sabe quem são as pessoas por trás dos perfis das redes sociais e que muitas delas são realmente escrotas.
Aqui no blog mesmo, já teve gente que vinha pelo simples prazer de me atacar. Já teve gente no twitter que foi me xingar por não concordar com algo que eu disse. Já teve gente no Flickr me xingando pra criticar alguma fotografia que postei. Já teve gente me dizendo que eu sou feia e devia parar de fotografar. Já teve gente (vejam só) me difamando como plagiadora quando na verdade o texto original era (ta dááá) MEU!
E isso tudo com assuntos, sei lá, triviais. Assuntos que jamais justificariam um ataque gratuito.
Eu gosto muito de internet, gosto muito de redes sociais e adoro blogs.
Eu gosto de compartilhar minhas opiniões aqui, gosto de compartilhar coisas legais nas minhas redes sociais e me sinto feliz com isso. Me sinto feliz quando recebo respostas positivas, quando as pessoas gostam de alguma ideia minha ou chegam para somar ideias e trocar experiencias bacanas. Isso é muito legal. Mas como tudo na vida, tem dois lados.
A internet é o local perfeito para a reprodução dessa espécie esquisita que chamamos de Trolls ou Haters. Que são pessoas extremamente insatisfeitas com a alegria alheia. Pessoas infelizes que se sentem poderosas quando protegidas pelo anonimato.
Tem gente que faz questão de ser desagradável, de espalhar comentários maldosos sem se importar o que a pessoa que está lendo sente.


A imagem acima ilustra muito bem o que estamos falando aqui. É de uma artista Kate Leth e se chama "Don't be a Dick" e você pode ver o link original e conhecer o trabalho da artista clicando aqui.
Eu até vi uma versão traduzida, mas o português estava errado e eu preferi postar a original.
Pra quem não entendeu muito bem, a imagem diz o seguinte:
Lembre-se:
As coisas que você vê na internet são feitas por pessoas.
O artista do outro lado da tela... É uma pessoa.
Quando você escreve um comentário de merda (por qualquer razão) sobre uma arte...
Você está magoando um a pessoa real, como você!
Tem cretinos o suficiente na internet. Não seja mais um.
Eu nunca vou entender, porque as pessoas se sentem bem em ofender e magoar as outras. Em atacar, desmerecer, humilhar gratuitamente gente que sequer conhece.
Já experimentaram ler, por exemplo, comentários nos canais do youtube?
Eu acompanho vários, de várias blogueiras, vlogers e eu adoro, mesmo, muita gente que faz videos no youtube. E eu tenho sempre um mantra de "não leia os comentários, jamais leia os comentários". Porque é assim: ahh sua puta, sua gorda, sua escrota. E por ai vai.
É clichê falar isso, mas as pessoas ficam perdendo tempo para ofender as outras ao invés de cuidarem de suas próprias vidas.
Como eu disse anteriormente, a internet é o local perfeito para a ação dos Trolls, por ser, justamente uma atitude covarde. A pessoa se esconde no anonimato, num personagem. E se sente livre para fazer o que quiser. 
A tirinha abaixo, do site Malvados, ilustra isso muito bem: 



• Com base nisso, vamos entrar na quinta e última questão desse blog e motivo de eu ter escrito tudo isso: Secret

Secret é um aplicativo onde o usuário pode contar "segredos" de forma anônima. Esse segredo pode ser visto e comentado por qualquer pessoa, também de forma anônima.
O aplicativo forma a sua rede de contatos através da sua lista de amigos no Facebook (e contatos no celular também, segundo li). Quando alguém posta um "segredo", toda a lista recebe um alerta, porém, sem a identidade do autor.
Com isso você vê o que um possível amigo esta confessando. Ou um amigo do seu amigo.
Quem acha que isso vai dar merda levanta a mão! Não precisa, porque já deu!
Está rolando processo e tudo, não vou me aprofundar - usem o Google. Mas muita gente está aproveitando o anonimato para difamar, atacar, ofender e etc. 
O anonimato favorece o ato. Tenho uma amiga que saiu do Secret depois de ver uma postagem de alguém mostrando foto de uma menina nua, aparentando ser menor de idade.
Conseguem perceber o quento isso é sério? 
Conseguem perceber que esse aplicativo é uma ótima oportunidade para os trolls e haters praticarem seu cyberbullying?

Essa semana recebi várias vezes o convite para o Secret. 

-Já fez um Secret?
-Não
-Faz lá, tô viciado
-Lembra que você criticou aquele outro app Lulu?
-Mas esse não tem nada a ver
-Sério? Um app anônimo pras pessoas falarem o que quiserem sem o outro saber quem é você?
-Mas não é de avaliação sexual
-Mas vai acabar sendo, não dou uma semana

-Você já viu esse Secret?
-Já
-Você está lá?
-Não
-Eu tô, é muito engraçado, falam cada coisa...
-Justamente por isso não estou


-Você está no Secret?
-Não
-Poxa, então baixa lá, é muito legal, tem no android e ios
-Ahh não me interessa não
-Como não? É um app anônimo pras pessoas contarem segredos lá. Muito engraçado, só falam merda.
-...


Alguns de vocês vão dizer: ahhh mas tem pessoas legais, é engraçado, tem umas confissões que eu ri muito. Ok, eu acredito. Eu vi algumas numa página do facebook que posta as mais engraçadas. Mas eu não me sinto a vontade de participar de algo assim. Eu simplesmente acho que eu não preciso me sujeitar a isso.
Pra que vou entrar num trem desses, minha gente?

Eu prefiro contar os meus segredos para:
1- Alguém que eu confie.
2- Alguém que eu possa realmente confiar
3- Alguém que não vai me decepcionar
4- Alguém que não vai me atacar, me ofender ou me trollar
5- Alguém que não precise se esconder atras de um anonimato de aplicativo para dar sua opinião.
E aí estão, cinco tópicos para refletir.

Desculpem pelo texto imenso, eu realmente tentei resumir e não soube como!
E se você discorda de algum ponto, deixe aqui seu comentário e vamos conversar. A menos que você seja um troll, porque aí a minha melhor resposta vai ser te ignorar!

Tchau amiguinhos, beijo nas kiança!

27.6.14

Coisas que meninas não podem fazer


     Recentemente, li no site Brainstorm9 uma matéria sobre a última campanha publicitária da P&G "Always #LikeAGirl" e já já vou falar sobre ela. Mas antes, vamos bater um papo?

     Eu fiquei pensando quantas vezes na vida, ouvi coisas desse tipo.
Eu nunca gostei de brincar de "coisas de menininha". Eu gostava de andar de bicicleta, de jogar bolinha de gude (tinha coleção), de soltar pipa (tenho cicatriz de linha com cerol nos dedos).
Eu subia em árvores, pulava o muro de casa ao invés de abrir o portão, subia no telhado quando queria ficar sozinha ou me esconder da minha mãe. Chutava a bola no portão quando estava com raiva.
Sim, eu tive bonecas e algumas eu realmente amava (apesar de sempre cortar os cabelos das Barbies), como é o caso das bonecas de porcelana que meu avô trazia da Feira Hippie de Belo Horizonte e das mini bonequinhas (as Fofoletes) que minha avó me dava.
Quando eu era criança,  minha mãe era chamada no colégio toda semana (quiçá todo dia) para ouvir reclamações que eu era muito bagunceira (nunca pra reclamar das notas, btw) e que eu batia nas outras crianças ("quem me bate também apanha"). Não me lembro, nenhuma vez, de ter chegado em casa chorando por causa de algo na escola.
Quando eu era criança, assim como todas nós mulheres, ouvia o tempo todo coisas como "isso não é coisa de menina", "isso é brincadeira de menino", "você devia se comportar que nem uma menininha" ou ainda "você parece um moleque".
Pois sim, E DAÍ? Desde que eu era criança até hoje, nunca entendi qual era o problema de não ser como as outras menininhas e brincar das coisas chatas que elas brincavam. Nunca entendi qual era o problema de jogar bolinha de gude ao invés de brincar de dar comidinha para as bonecas. De preferir um quebra cabeças do que um conjunto de panelinhas de plástico. De querer fazer karatê ao invés de balé (e acabar fazendo natação, mas isso é outra história).


     O que eu vejo nessa geração de meninas (que vai da pré-adolescência até sabe-se-Deus-quando) é que  existe toda uma preocupação com coisas como: maquiagem do dia, unhas do dia, batom novo da marca X, perfume importado da marca Y, bolsas de marca, look do dia (olhem como me vesti hoje), cabelos, roupas caras, sapatos caros, baladas, moda, dieta, ficar magra...
E existe toda uma patota de meninas, blogueiras, disseminando coisas do tipo "dicas para ser mais feminina", "como ter um namorado", como isso e como aquilo blablabla - e zero de princípios, zero de valores.
Aliás, quando falo de "valores", não é sobre o número que vem na etiqueta do que você compra, ok?

     Tem muita gente preocupada em dizer como você deve ser, mas também tem muita gente preocupada em seguir regras de gente que nem conhece.
Minhas queridas leitoras, vou deixar uma dica de como agir quando alguém quiser ditar como você deve ser ou fazer algo:


Deixa eu dizer umas coisinhas pra vocês. Aliás, vou deixar listinha bem básica para vocês refletirem:

• Se você quer emagrecer, que seja para ficar saudável, que seja porque você quer se sentir bem, que seja porque você gosta de exercício, que seja porque você quer se alimentar melhor. Mas repare bem na palavra que mais se repete na frase anterior: você. Que seja por você, amiga, não por imposição de alguém que quer te convencer que você só vai ser feliz, descolada e amada se for magra. isso é mentira! Ok?

• Se você gosta de maquiagem, use maquiagem. Se você não gosta de maquiagem, não use maquiagem!
Não fique por ai dando trela pra quem diz que mulher TEM QUE usar maquiagem, TEM QUE nada!
E se você gosta, não fique por ai dando trela pra quem diz que maquiagem demais é coisa de mulher vulgar, que seu batom vermelho é vulgar. A fuça é sua, pinta ela como você quiser! Ok?

-Ah, e se você gosta de maquiagem, mas não sabe fazer maquiagem, tem um monte de blogs, sites e youtubes de mocinhas que ensinam - e muitas delas são bem bacanas ;)

• Se você quiser comprar aquela bolsa cara, aquele perfume importado, aquela maquiagem top e roupas que custam mais do que valem, você trabalha, se esforça e compra todo tipo de bugiganga que você quiser. E olha, ninguém tem absolutamente nada a ver com o que você faz com o seu dinheiro. Ele é seu, você trabalhou e se quiser fazer uma fogueirinha com ele, o problema é seu.
Só não fica por ai reclamando que parcelou em 100 vezes aquela bolsa da Chanel que você comprou só porque todo blog de moda que você viu disse que você precisava ter uma. Você pode ter e fazer o que quiser - desde que seja realmente o que você quer, não o que querem que você queira.

• Não se leve a sério demais. Não precisa enlouquecer cada vez que você receber uma crítica. Ria mais! Se alguém disser para você algo como "isso não é coisa de menina", ria! Ou mande para aquele lugar, você escolhe. Mas não fique travada nesse lance de se levar a sério, você precisa aprender a rir mais e rir de si mesma (dica bônus). Esquece essa coisa de nhenhenhem, de polidez, de ter que ser educadinha. Esquece a pressão social, esquece esse povo que acha vulgar uma mulher gargalhando na rua. Não se cobre demais, ria mais :)

• Não se faça de vítima. Nunca, nunca e nunca. Isso é muito chato, gente. Não fique dando trela pra esses textos meia boca de "mimimi geração de mulheres criada para ser o que os homens não querem", para com esse papo de mulher encalhada. Para, para e para com esse papo de "os homens não dão valor a nós, mulheres bem resolvidas". Vou te dar uma dica: esse tipo de atitude não é coisa de gente bem resolvida. 
Não fica colocando a culpa em outras pessoas, a gente atrai o que a gente procura - e para que te dêem valor, dê-se valor primeiro. Por favor!
Não fica também nessa defensiva de "eu não sou feliz na minha profissão porque eu fiz o que meus pais queriam e não segui meu sonho". Para com isso, você fez porque você quis, você não é vítima dos seus pais. Se você fez o que eles queriam, o problema é seu, vai lá e faz outra coisa, gente! 

• E por último, e não menos importante (a lista poderia ser imensa): se você não sabe o que quer ou não sabe do que gosta: tudo bem também! Não fique aí se esforçando pra ser o que sua mãe, seu pai, seu namorado, seu chefe, seu irmão ou o que revistas femininas querem que você seja. As vezes a gente leva um tempo para descobrir. E um dia você também vai saber.


     Quando a gente é criança, os adultos sempre nos perguntam o que queremos ser quando crescermos. 
Meu irmão queria ser bombeiro, mecânico e dono de parque de diversões para brincar o dia todo sem ter que pagar. Eu nunca soube, porque minha mãe não se lembra de como eu respondia isso - então acredito que eu não respondia nada. Dos 05 até os 13/14 anos, eu pratiquei natação e adorava nadar, competir e ganhar medalhas. Em algum momento da vida, eu sei que quis ser nadadora profissional e pensava em buscar patrocínio e fazer testes para federação. Depois eu pensava que nadar demais me faria ficar com os ombros muitos largos e não quis ter o corpo igual ao das meninas mais velhas da equipe - e assim desisti de ser nadadora. Eu já quis ser atriz, modelo e trapezista. Eu já quis ter, no minimo umas dez profissões diferentes. Eu nunca soube ao certo o que eu queria fazer da vida, mas sempre soube que não queria ser nada contra a minha própria vontade. Atualmente, exerço duas funções diferentes na vida: um emprego regular que garante meu sustento mensal e meu trabalho com fotografia, que garante meu sustento emocional.
Eu tenho 30 anos e resolvi voltar a estudar. Estou fazendo uma faculdade completamente diferente do que trabalho hoje em dia. E depois de passar muitos anos me culpando por não saber o que queria, descobri que às vezes leva-se tempo para descobrir. Que tudo bem em experimentar coisas que não gosto, porque elas me farão descobrir o que eu realmente quero. Que nada do que digam "mas você tem que blablabla" eu realmente "tenho que blablabla" se eu não quiser e não gostar!
O que mais tem por ai, é textozinho chato, caga regra, tutorial de como devemos ser, agir, falar, nos comportar. MEU OVO!


     Voltando ao que me motivou a escrever esse texto enorme (meu coraçãozinho pra você que leu até aqui).
A tal campanha da P&G, quis propor uma reflexão sobre esse papo de "coisas de menina" ou de ter que fazer coisas "com o uma menina".
Para isso, levaram meninas e meninos de várias idades para um estúdio e pediram para que eles encenassem coisas como: correr como uma menina, lutar ou jogar bola como uma menina.
As adolescentes demostraram como é um esteriótipo.
As meninas mais novas, em sua inocência de criança, agiram como quiseram. (Prestem atenção na menininha de vestido rosa).
Já as adultas, após assistirem toda a audição, foram convidadas a demostrar como seria agir sem pensar em esteriótipos. 
O objetivo da P&G, é acabar com o conceito pejorativo dessa expressão. A Campanha "Always #LikeAGirl" vale um minutinho da sua atenção.

Agora assistam ao vídeo da campanha ou clique aqui para ver no Youtube:


     Essa campanha me fez lembrar de uma outra, que eu vi há algum tempo atrás.
Trata-se de um comercial produzido por uma operadora de telefonia chamada Verizon.
No comercial, a proposta é fazer os pais de meninas a refletirem sobre o modo como estão criando suas filhas. Pequenas atitudes como "não mexa com isso, deixe com seu irmão" ou "não suje seu vestido", podem fazer as meninas perderem o interesse pelas coisas que gostam.
Esse segundo vídeo, mostra EXATAMENTE o que o primeiro tenta combater.
No vídeo, uma menina aparece sendo repreendida por fazer coisas que não são próprias de uma menina. Vemos claramente a menina sendo polida, tosada. O vídeo propõe que os pais incentivem suas filhas a explorar a capacidade que elas tem, serem brilhantes.

O vídeo “Inspire her mind” (“Inspire a mente dela") foi elaborado após o resultado de uma pesquisa que apontou que que 66% das alunas do último ano do Ensino Médio se interessavam por profissões da área de Exatas, mas somente 18% acabam fazendo faculdade nessa área.

Assistam o vídeo ou cliquem aqui para ver no youtube:

Aqui tem uma versão com legenda em português

     Pesquisando sobre o vídeo para colocar aqui, descobri que o "Inspire her Mind" é o segundo vídeo de uma trilogia. O primeiro vídeo chamava-se "The Body Shop" e trazia a mensagem que meninas podem ser "mais do que apenas bonitas". Eu não encontrei esse vídeo, mas durante as buscas, encontrei um canal chamado "Be More Than Beautiful" ("Seja mais do que bonita") que possui três vídeos interessantes e quem tudo a ver com o que estamos falando aqui (clique nos nomes para assistir):


Os vídeos mostram meninas dizendo como vão ser quando crescerem se continuarmos ensinando valores distorcidos a elas. A proposta é levantar a reflexão sobre o modo como estamos criando meninas. Que tipo de coisa estamos ensinando, repetindo e perpetuando?  Vale o clique.


   Queridas leitoras, talvez eu tenha dado voltas e embolado um pouco o que eu queria dizer - sou dessas (mas vocês me amam assim mesmo, né?).
Mas pensem comigo: porque existem tantas baboseiras querendo ditar como vocês devem ser? Já pensaram nisso? Vocês podem ser incríveis se quiserem e é triste que muitas não percebem isso.

E se você tem (ou vier as ter) uma filha, não repita os mesmo erros desses vídeos com ela. Sua filha (e você também) pode ser o que ela quiser, ela pode fazer qualquer coisa sem esse esteriótipo idiota de que existem coisas de meninas e coisas de meninos. Não desestimule sua filha, não diga a ela que "menina não pode isso", "isso é coisa de menino" ou "você vai se sujar / sujar seu vestido". Se ela se sujar, caceta, ela pode tomar um banho, né? Se ela sujar o vestido, você lava ele e pronto, sem sofrimento. Para essas coisas que inventaram super-maquinas-que-lavam-roupas-e-produtos-que-removem-manchas-para-você-não-precisar-esfregar-sujeira.
Quando você pensar em falar para sua filha ou para uma menina qualquer a frase "isso não é coisa de menina", lembre-se que meninas e meninos tem as mesmas capacidades, mas a sociedade sexista acaba determinando que meninos podem fazer determinadas coisas e meninas não podem. 
Isso é bobagem, não repitam isso.

     Espero que eu tenha conseguido levantar uma reflexão saudável com esse post. Espero não ter confundido ou ter embolado demais o que eu quis dizer - é muito tempo sem escrever gente, dêem um descontinho.
Pra encerrar por hoje, eu quero deixar só mais um recado para vocês:


O resto é papo furado pra vender revista!

16.9.13

O Machismo que você não nota, a patrulha da saia curta, Ivete, Anitta e todas nós!

Foto: Daryan Dornelles

"A estupidez coloca- se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver." - Bertrand Russell

Se Russell soubesse o tanto de estupidez que andamos vendo por ai...
Nem sempre é bom saber como as pessoas pensam. Mas eu insisto nessa prática. É sempre surpreendente perceber como tanta gente ainda mantém aquela mentalidade provinciana, atrasada. E não, não estou falando do meu avô. Ele até que é bem moderninho pros seus mais de 80 anos.
Acontece que tem gente que está tão certo de suas opiniões que o facebook virou um mural de imbecilidades e eu, sinceramente, não sei se fico com pena ou com raiva. Mas lamento profundamente a falta de uma consciência coletiva.
Tem coisas que se aprendem na infância, tem coisas que se absorve com o passar dos anos.
Por exemplo, você não catuca o nariz em público porque é feio e sua mãe lhe ensinou isso.
Você não faz comentários maldosos sobre a deficiência de alguém porque você sabe que além de ser errado, é discriminação, é ofensivo e você pode se encrencar. Certo?
Pergunto-me onde foi que as mães da geração anterior erraram pra ter tanta gente pensando asneira por ai.
De onde você tiraram a infeliz idéia de que podem dizer o que pensam de qualquer forma, pra qualquer pessoa? De onde vocês tiraram o direito de julgar, acusar ou tecer comentários a uma mulher qualquer, conhecida ou estranha, a respeito do que quer que seja: seu corpo, suas roupas, seu comportamento? Os americanos chamam isso de “atenção não solicitada.”  Ou seja: Indesejada!
Acho que não preciso exemplificar o significado de “indesejado” aqui.

Vocês ai, que ficam falando das suas opiniões machistas pra quem quiser ver: vocês não tem mãe não? Irmã, prima, tia... Já pensou se começassem a trata-las igualzinho você anda fazendo? 
Uuuhhhhh. Né?


Certa vez, eu voltava da sorveteria com uma amiga quando um sujeito nos abordou dizendo "nossa, eu queria ser esse picolé". Minha amiga arregalou os olhos, assustada, mas eu respondi "quadrado, gelado e com um palito enfiado na bunda?". Minha amiga ficou com muito medo dele reagir, mas sujeito ficou sem ação. Quem fala o que quer, ouve o que não deseja (minha avó sempre dizia isso). Porém, a maioria das mulheres não consegue reagir ao ouvir uma gracinha. 
Ao relatar o ocorrido, ouvi de um conhecido a seguinte frase: "se a mulher é bonita, tem mais que mexer mesmo". Não, não tem! Não tem que mexer, não tem que comentar, não tem que constranger! A gente não tem que andar por ai com vergonha das besteiras que escutamos! A gente não tem que andar por ai com a liberdade de ir e vir limitada porque precisa abaixar a cabeça e fingir que não percebe os comentários maldosos quando passamos por um grupinho de homens, com medo que as palavras virem ações e de repente um deles parta pra cima e nos force a ser o que eles acham que somos: objetos sexuais, brinquedos humanos de satisfação e deleite exclusivo deles.

Por que eu digo isso? Porque é tudo parte de uma coisa só.
O cara que mexe com a moça na rua, o playboy que puxa uma menina pelo braço numa balada e se acha no direito de beijá-la à força, o chato que insiste numa cantada mesmo que a moça tenha dito não, o babaca que aproveita um transporte publico lotado para se esfregar nas mulheres, o marginal que estupra... Todos se acham no mesmo direito. O Direito de falar e fazer o que bem entenderem. 
Vocês já sabem onde termina isso termina, eu estou apenas mostrando onde começa.

Muitos de vocês vão dizer que palavras não são ações. Concordo. Nem todo mundo que passa por uma mulher e fala "ôôôôô gostosa!" vai, de fato, estuprar a moça. Mas é assim que começa. E se vocês disserem "mulher que é mulher bem que gosta de receber uma cantada mesmo" eu vou dar na cara de vocês. Se vocês, homens, acham MESMO que estão agradando, façam uma pesquisa. Perguntem a opinião das mulheres que vocês convivem. Você vai se surpreender com o resultado, a maioria detesta.

RESPEITA A MOÇA!

Nós não queremos andar por ai pelas ruas e ouvir um "nossa, que bunda!", "que gostosa", "ôôô delícia" e coisas do gênero. É ofensivo, é intimidador, é grosseiro, é insultante. Nós só queremos que vocês nos deixem em paz! 
Não somos peças em exposição pra vocês ficarem analisando. Vão para um museu!

Leitura recomendada: CANTADAS OFENDEM - ÉPOCA

Semana passada, postei no meu mural do FB a notícia da Ivete Sangalo pegando o celular de um fã na platéia e repreendendo o rapaz por ter filmado/fotografado sua calcinha. (Confira Aqui)

Eu acho a Ivete engraçada, não sou fã de sua música, mas gosto do jeito dela e como gostei da atitude dela, postei o vídeo.
Para minha surpresa, recebi comentários do tipo "se não quisesse que acontecesse isso, não usava saia curta". Tal comentário foi alvo de discussão e como resposta, o moço postou uma imagem onde a cantora Anitta aparece rebolando a bunda num show. Segundo ele, Anitta não é digna de respeito por se comportar desse modo. Que apenas mulheres como Luiza Bunet, que sabem se vestir com classe, merecem ser respeitadas.

Não riam, gente, não é piada!

Me surpreendo por ver que ainda existem homens com esse tipo de pensamento. Quer dizer que o respeito que vocês, homens, dedicam a uma mulher é proporcional ao tamanho da roupa dela?
Vocês querem criar uma filial do talibã aqui? Sinto muito, queridos, vocês vão ter que se enquadrar porque nós NÃO vamos usar burca!

Ivete, Anitta, Maria, Antônia, Joana, ou seja lá quem for, merecem SIM ser respeitadas. Independente do tamanho da roupa que usam.


Foto: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/Folhapress
O que define o RESPEITO que você tem por outra pessoa, NÃO pode ser a roupa que ela usa!

A mentalidade dessa patrulha da roupa curta prega que "mulher que se dá ao respeito não usa roupa curta", porque, se usar, é vagabunda, não pode, as ruas são o reduto e o domínio desses seres peculiares que, ao serem acusados de machismo, reagem dizendo que somos feministas demais, reacionárias demais.
Talibãs tupiniquins que ainda não se tocaram do século em que estamos e não se aguentam nas calças.




Vale ressaltar que, estou insistindo nessa tecla da roupa curta, mas a questão não é só essa.
Mulher é assediada na rua, pelo simples fato de ser mulher. Eu, por exemplo, não uso roupa curta. Porque eu não gosto, porque é minha escolha não usar, porque eu não acho que fico bem, porque eu me sinto incomodada achando que a qualquer momento vou me descuidar e deixar a roupa de baixo aparecer. Então, não uso. E o tamanho da minha roupa, não influi no desrespeito que eu também sofro por ai. A questão da roupa é só uma desculpa que vocês usam para justificar (ou não) a própria imbecilidade.


Expliquem-me uma coisa? O que mesmo vocês têm de melhor que a gente? Hein?

As mulheres são julgadas se usam roupa curta ("com uma saia desse tamanho só pode ser vadia"), se não usam roupa curta ("ta parecendo uma tia velha com essa saia enorme"), se não usam ("nunca vi de saia, deve ser sapatão"), se tem o cabelo curto ("parece homem"), se tem o cabelo grande ("fútil, deve viver só pro cabelo"), se trabalha ("quando vai casar?"), se não trabalha ("quer um macho que a sustente"), se teve vários namorados ("vagabunda, óbvio"), se não teve nenhum ("virgem solteirona mal amada"), se tem filhos ("foi o golpe da barriga"), se não tem ("mas você ainda não tem filhos?"), se não querem ter ("como assim você não quer ter filhos???"), se é casada ("se amarrou, não sabe curtir a vida"), se não é casada ("não achou ninguém que queria"), se não quer casar ("piriguete, quer dar pra todos")...

SÉRIO que vocês não tem mais o que fazer?
A mãe de vocês sabe que vocês falam essas coisas na internet?

Por favor, mães de hoje, não eduquem seus filhos para serem trogloditas. Eduquem seus filhos para que eles tratem as pessoas como você gostaria que te tratassem.

Por favor, saiam das cavernas!
Vocês estão só refletindo sombras na parede, a luz está do lado de fora!

Maitena 

"Só os medíocres mostram sempre seu melhor” -  Hippolyte-Jean Giraudoux



Recomendo urgentemente a leitura dos textos a seguir:

21.8.07

Sinceridade

"Quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe"
[Fernando Pessoa]


Sabe quando bate aquele necessidade de dizer umas verdades na cara, na lata, na vara?
Eu tenho muito disso... E é urgente, é sempre urgente que me bate essas urgências de falar no real, no duro, a limpo...
Ainda mais se sei que EU estou certa, mesmo porque, é dificil saber que EU estou errada - e quando estou, bem, tem que me convencer do motivo.
Então, se não me mostrar e não me convencer que estou errada, não estou e ponto final!
Eu não entrego minhas verdades sem argumentar, não dou o braço a torcer, não sou fácil de convencer...
Não é que eu queira estar sempre com a razão, mas se alguém não vê razão no que digo/faço, tem que mostrar porque, oras bolas.

Eu sou boa em discussões, gosto de discussões - as melhores são aquelas que nos deixam com raiva. Eu acredito no poder criativo da raiva e na quebra de máscaras que ela, a raiva, proporciona.
O Eric constumava me dizer, na época das nossas brigas faraônicas, que nas discussões mostramos nosso pior lado e somos capazes de dizer tudo na hora da raiva. Eu dizia a ele que, se mesmo mostrando nossos piores lados e brigando do jeito que brigávamos nós continuamos amigos, não haveria nada no mundo capaz de abalar nossa amizade.
Por outro lado, por muito menos, histórias da minha vida acabaram.
Por desavenças bobas, por mal entendidos, por palavras mal colocadas nas frases...
Eu acredito que relações que sobrevivem a grandes discussões, tendem a se estender por muitos anos.
Mas há quem discorde de mim.

No entanto, em momentos de raiva ou de candura, em conversas afiadas, venenosas ou em discussões, eu costumo ser muito sincera.
Sincera ao ponto de ofender e aproveitar pra involuntariamente jogar na cara mostrar o quanto a pessoa está errada, que deveria se envergonhar, tomar uma atitude, reconhecer o erro, reconsiderar, se realinhar...
Eu sou de extremos, vou desde o "espírito pacificador" até a "semeadora de guerras".
Eu tenho crises de choro, crises de riso, eu mudo de opinião, de tática, de discurso, mudo muito de humor mas não sou bipolar eu acho
E eu não sei "porque que a gente é assim", mas eu tento ser sincera em tudo que eu faço ou falo...

Porque estou dizendo isso?
Esses dias descobri que não sou tão monstro quanto eu penso.
Uma pessoa que nem tem muito contato comigo, veio me contar algo que esta acontecendo com ela no trabalho, sobre umas pessoas que estão queimando o filme dela e no quanto estava se sentindo humilhada e forçada ao papel deprimente de vítima. Conversei seriamente com ela, mas dei de ombros pra questão dela vir pedir conselho a mim, porque eu mesma acho que não sou a melhor pessoa para aconselhar ninguém, mas o que me espantou foi o que ela disse:
"Vim falar com você, porque sei que eu estando certa ou errada, você vai ser sincera"

O fato é que, se me pedir opinião, tem que estar disposto a ouvir, mesmo que eu diga o que não devo e o que ninguém gostaria de ouvir.
Minha mãe diz que eu não me esforço pra ser agradável, mas eu acho que ela não está tão certa, mesmo que tenha razão.
Eu não sou de meias palavras e mimimis - quando tem que falar na lata, no duro, eu falo.
Vai ver que é por isso que tanta gente que não gosta de mim...


...As Algumas pessoas não gostam de sinceridade!!!



Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
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