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7.8.15

Léxico - o livro que não consegui parar de ler.


Compraria só pelas capas.
“Ela não curtia realmente ler, mas gostava do modo como os livros eram pistas. Cada um deles era uma peça de um quebra-cabeça. Mesmo quando não se encaixavam, elas revelavam um pouco mais sobre que tipo de imagem ela estava formando.” 
Existem livros que nos arrebatam de tal modo, que não conseguimos parar de ler até a última página. 
E também não queremos que cheguem na última página.
Foi assim com Léxico, do autor Max Barry.
Eu tinha acabado de inserir novos arquivos no meu Kobo e estava conferindo se todos abriam sem erros.
Abri esse livro, estava muito interessada nele depois de ler a sinopse, mas não era minha intensão ler naquele momento. Eu estava lendo outros dois e queria terminá-los antes de começar mais um - é claro.
Mas algo aconteceu entre o ato de simplesmente abrir o arquivo do livro e chegar na página 100.
Isso me rendeu até um selinho engraçado de conquistas no Kobo:

Pra quem não sabe, o Kobo tem essas brincadeirinhas de liberar selos confirme você conquista desafios :)
Pois é gente, prendeu mesmo e eu não consegui parar de ler esse livro. 
Mas vamos lá.
Sinopse:
Léxico - Uma organização treina jovens talentosos para controlar a mente e o comportamento das pessoas usando combinações específicas de palavras. Os iniciados deixam suas verdadeiras identidades para trás e passam a usar nomes de poetas.
Identificada como um prodígio na arte da persuasão, Emily Ruff, que ganha a vida com truques de cartas nas ruas de São Francisco, é enviada para o treinamento em uma escola da organização e começa a aprender a técnica letal. Quando os líderes da instituição descobrem que ela está se envolvendo com outro aluno, Emily recebe uma missão aterrorizante.
Wil Parke, carpinteiro, sofre de amnésia. Um dia ele já soube o significado da palavrárida, um artefato com o poder de colocar o planeta em risco. No entanto, não lembra mais. Wil é sequestrado por dois agentes brutais, que acabaram de matar sua namorada, desesperados para impedir que um membro da organização, de codinome Virginia Woolf, cause uma grande destruição.
Em seu novo livro, Max Barry constrói uma trama sombria na qual as palavras são como armas e os tipos mais vis usam como pseudônimos grandes nomes da literatura.


Quando eu era pequena, minha avó me dizia coisas como "muito cuidado com o que você diz, as palavras tem poder". Minha amiga Juliana sempre me repreende quando digo algo derrotista. Segundo ela, o que você diz influencia o que você recebe de volta do universo. A filosofia da minha avó e da minha amiga Juliana vieram a calhar com o enredo do livro. Isso porque em Léxico, palavras são mais perigosas do que armas. E vejam vocês, as pessoas mais perigosas do mundo, são os poetas!

Só um parênteses: Léxico, pode ser definido como o conjunto de palavras em uma língua - dicionário, repertório, grupo de palavras úteis e etc.

A história não chega a ser uma distopia, não se passa em um mundo destruído, com uma realidade oposta à que vivemos. Se eu posso fazer alguma relação, seria como se fosse uma Matrix - existem coisas acontecendo em algum lugar do mundo, mas a maioria das pessoas não tem ciência disso. Nessa realidade paralela, existe uma organização secreta que recruta e treina jovens para controlarem o uso das palavras. Eles se interessam por pessoas que demostram talento com as palavras, principalmente os que tem talento para a persuasão. E um dia, agentes dessa organização encontram Emily Ruff, que é uma garota jovem, simples, que vive de golpes aqui e ali. Ela fugiu de casa muito cedo e ganha a vida trapaceando em jogos de cartas. 
Ao chegar na Academia e conhecer os outros alunos, Emily arruma uma grande confusão porque não consegue encaixar. Ela é uma trapaceira, impulsiva e não lida bem com regras, mas acaba ficando porque seu mentor insiste com a diretora do local que a menina tem um grande talento a ser lapidado.
"Você pode ser uma pessoa inteligente, mas, se deixar outra pessoa filtrar o mundo para você, não tem como analisar criticamente o que está ouvindo"
Os membros dessa organização, aqueles que dominam seu léxico e são capazes de manipular qualquer pessoa apenas com o "dom da palavra", recebem nomes de poetas famosos.
Cada aluno, ao se formar, também recebe o nome de um poeta e esse passa a ser seu nome para sempre. Assim, as pessoas dessa academia passam a ser extremamente perigosas.
Emily não acredita que se encaixe entre aquelas pessoas, mas conforme seu talento vai sendo lapidado, sua mente se expande e ela começa a se destacar.
Pode parecer algo bom mas não é, porque Emily possui uma personalidade incontrolável. Uma Divergente, ops, livro errado.


Na Academia, as aulas ensinam que existem vários tipos de personalidades (segmentação) e como cada uma pode ser suscetível a um conjunto de palavras. Existem palavras que são capazes de manipular, de tornar o cérebro da pessoa receptivo à ordens e desfazer as barreiras de proteção de qualquer pessoa de acordo com sua personalidade. Para saber como manipular alguém, basta observar a sua personalidade para descobrir qual é o seu segmento e quais são as palavras adequadas a serem usadas. 
A coisa mais perigosa para um poeta é deixar transparecer qual é o seu segmento, porque assim ele seria facilmente manipulado. Os poetas escondem todos os traços de sua personalidade, seus desejos, suas expressões - tudo é sistematicamente controlado. Uma mera ruguinha de expressão pode ser fatal.
"Eliot era tão indecifrável quanto um tijolo"
Ao mesmo tempo que conhecemos Emily e tentamos entender a organização e os poetas, vemos um homem sendo sequestrados por agentes misteriosos que estão fugindo dos poetas.
Will Parke não tem a mínima ideia do que está acontecendo e não acredita em nada do que os agentes lhe falam. Ele não consegue entender se está sendo sequestrado ou salvo. Salvo de quem? Ele não sabe, mas obviamente estão sendo perseguidos por pessoas que o querem morto. Alguma coisa em Will, faz com que esses agentes e os poetas tenham interesse nele. Por algum motivo, acredita-se que ele é a única pessoa capaz de resistir à manipulação das palavras. No passado, Will soube o significado de uma palavra muito perigosa, mas esqueceu-se, teve uma amnésia. 
Essa palavra perigosa, foi capaz de destruir uma cidade inteira causando a morte de mais de três mil pessoas. E a palavra continua lá em algum lugar, porque todos que tentaram entrar na cidade depois disso, não voltaram.
Os poetas querem a palavra de volta, os agentes querem impedir que eles consigam e Will precisa acreditar nessa loucura e tentar ficar vivo.
"- Não entendo como pode ser uma palavra.
– É porque você não sabe o que são as palavras.
– São sons.
– Não, não são. Você e eu não estamos grunhindo um para o outro. Estamos transferindo significado. Transformações neuroquímicas estão ocorrendo em seu cérebro neste exato momento por causa de minhas palavras."
Agora é a parte da resenha em que eu preciso parar de falar para não cometer o grande pecado do spoiler (quase tudo que falei está na sinopse também, tá?).
Analisando a construção dessa história, consigo identificar uma crítica do autor que vou explicar aqui. Existem livros, palestras, cursos e workshops sobre uma metodologia de linguagem e comunicação chamada "Programação neurolinguística" (PNL). Não vou me aprofundar nesse caso (pros curiosos: google it), mas a PNL é usada para "programar a mente" das pessoas através de uma comunicação mais positiva. 
Aqui cabem aqueles livros que vemos (geralmente misturados erroneamente) no meio das seções de auto-ajuda. Livros chamados (títulos fictícios) "Como vender qualquer coisa para qualquer um", "Como fazer amigos", "Como convencer seu chefe a te promover", "Como influenciar seus amigos" e blablabla. O que esses livros trazem, são métodos de linguagem assertiva. A PNL pretende ensinar uma comunicação que é melhor recebida pelas pessoas. Aquela coisa de "saber qual argumento usar com cada pessoa", "vender seu peixe" ou "convencer a pessoa porque falou com jeitinho". A PNL vai muito além disso e falando assim parece papo de treinamento de vendedor (e é também, mas não só). Porém, como disse, não vou me alongar e isso pode ser só uma impressão minha que encaixa muito bem na história.


Eu achei uma sacada genial que os vilões serem poetas! Vejam bem, se no livro as palavras são perigosas, quem poderia ser mais perigoso do que pessoas que dominam a palavra? 
Então temos personagens chamados Virginia Woolf, T.S. Eliot, Charlotte Brönte, W. B. Yeats... E todos esses personagens são muito bem trabalhados, cada um tem sua história e suas características e o leitor fica interessado em cada um deles. A visceral Emily, o confuso Will, o enigmático Eliot, a perigosa Virgínia Wollf: todos personagens maravilhosos, indecifráveis e emocionantes.

Max Barry construiu uma trama complexa e eletrizante, que nos prende desde o começo. 
Pode ser meio confuso no começo, porque a história já começa em meio a um caos generalizado, mas existem pontes e um personagem específico que guia o leitor para a compreensão. A história não é clichê, é bem diferente do que vem sendo publicado atualmente. Um thriller original, fascinante e extremamente bem contado, cheio de reviravoltas e surpresas durante o decorrer da trama.

Me faltam adjetivos - talvez eu deva estudar linguística para expandir o meu léxico, mas agora fiquei com medo porque descobri o quanto palavras podem ser perigosas.


Classificação: 5 capuccininhos



Ps: Meu aniversário é em setembro e 
já estou aceitando o livro físico de presente.
Minha estante agradece ♥

30.7.15

Persépolis - Marjane Satrapi

Ao longo da vida, todos nós (leitores) elegemos aqueles que são nossos livros preferidos.
Alguns deles permanecem nesse posto para sempre, enquanto outros perdem lugar para novos preferidos. Isso tem a ver com o momento que vivemos, com quem somos no momento que lemos determinado livro e na maneira como nos identificamos com determinadas histórias ou personagens.
Outros livros acabam sendo os favoritos de uma fase ou de um momento nas nossas vidas. Certos livros, porém, chegam de repente e atropelam outros que estavam esperando para serem lidos ou que estavam na fila para se tornarem os nossos novos favoritos. 
Porém, o coração de um leitor é como um coração de mãe: sempre cabe mais um!

O livro de hoje me foi recomendado por quatro pessoas diferentes. E por quatro pessoas que eu confio muito no bom gosto literário. Por isso, na primeira oportunidade que tive, adquiri este que se tornou um dos meus novos preferidos. E eu vou dizer os motivos já já.


Sinopse:
"Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.
Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares.
Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar."

"Para me despertar, meus pais me deram uns livros" - melhor despertar possível

Antes de falar do livro, gostaria de falar sobre o Irã. Quer dizer, o que eu realmente sabia do Irã? 
Na minha cabeça o Irã é: tiro, porrada e bomba. No ocidente, o que sabemos do Irã se resume a algumas coisas sobre islamismo, outras sobre a disputa com os Estados Unidos, guerras, energia nuclear e (sim) preconceito influenciado e televisionado pela mídia e suas coberturas jornalísticas sensacionalistas.

No meu primeiro ano da faculdade, conheci a supersensacional escritora Chimamanda Adichie, que em uma palestra para o TED, mostrou que o que acontece com o Irã, acontece com a Nigéria. O que se fala de um povo na mídia, influencia a imagem que temos dele. Com isso, criamos em nossa mente uma única história sobre países que não conhecemos: a Nigéria é um país pobre, o Irã é um país em guerra. 
Quando comecei a ler Persépolis, logo notei que eu tinha em mente uma única história sobre o Irã. Mas, assim como ler os livros da Chimamanda me mostrou uma Nigéria que eu não conhecia, Persépolis me apresentou o Irã.

Marx e Deus são parecidos, só muda o cabelo crespo
A edição que eu comprei, é essa que traz a história completa. Mas eu sei que ele é vendido em Parte I, II, etc... Então, foquem nessa aqui!
Persépolis é um livro auto-biográfico em formato de quadrinhos. A personagem principal é a própria Marjane, que começa o livro com 10 anos, tentando entender os rumos da revolução em seu país: o Irã. Essa revolução derrubou o regime autoritário do Xá Reza Pahlevi para dar lugar a República Islâmica. Aquelas aulas que tivemos sobre a revolução na escola não podem ser comparadas à visão de quem viveu lá, nesse período. 
Marjane tem amigos, frequenta a escola, gosta de livros, tem um tio comunista, uma avó atenciosa e vive em uma família de classe média. Os pais são politizados e acreditam que a revolução vai melhorar o Irã. Ela costuma ter conversas com Deus e o vê em seu quarto sempre que precisa conversar. Diz que vai ser profeta. A religião é uma questão muito importante no Irã.
Mas Marjane logo descobre que não será uma profeta. Ela começa a se interessar por política e ter opiniões fortes sobre o que vê. Ela vive um período em que os revolucionários e o governo se tornam inimigos. 
Ela passa a ser obrigada a usar o véu para cobrir a cabeça, as turmas na escola passam a separar meninos e meninas, as festas são proibidas, bebidas também. Não vou falar aqui dos desdobramentos políticos, mas o regime xiita mudou drasticamente a vida no Irã.

"Ninguém aceita a verdade" - Marjane cometendo sincericídios desde pequena :)
Na casa de Marjane, a família sempre conversou muito sobre tudo. E abertamente. Marjane cresceu consciente da situação política de seu país e isso a levou a ter alguns problemas. 
De sincericídios, a maioria deles.
Depois de ser expulsa de uma escola e de enfrentar a diretora da nova escola, seus pais ficaram com medo que ela fosse presa e executada. Então eles resolveram manda-la para a Áustria, aos 14 anos, para fugir da guerra. Lá, Marjane tenta aprender novos costumes e se adaptar a uma vida totalmente diferente da que tinha antes. Sabe aquele período da adolescência em que pensamos "quem sou? O que farei da vida?". Pois é, imagine-se nessa fase em outro país, longe da sua família. Não deve ter sido fácil.

Ou então, imaginem só se um de nós fosse morar no Irã. Talvez seja muito difícil para um ocidental perceber que o governo é que manda no que você pode vestir, ouvir, comer, fazer... Aliás, no Irã, casais só podem andar juntos se forem casados - e precisam comprovar isso se um agente do governo os parar na rua. Se não, as pessoas são presas por afrontarem a moral. Mulheres solteiras não podem andar pela rua acompanhadas de homens que não sejam seus parentes. Nem sozinhas. Vocês se adaptariam a algo assim? Eu, com certeza, não.
Do mesmo modo, imagina como uma iraniana se sentiria chegando em nossa cultura tão "vida loka"?
Talvez nós não sejamos capazes de entender a cultura iraniana, mas através do livro de Marjane, podemos entender o lado humano onde é tão simples nos identificarmos com os sentimentos dos personagens.

Sobre o regime xiita que tornou a vida no Irã um verdadeiro inferno
Depois de adulta, ao passar por diversos problemas, Marjane resolve voltar para o Irã em busca de encontrar-se em suas raízes. E então ela precisa se readaptar aos costumes de seu país e esquecer a liberdade que tinha no ocidente. O que também não é uma tarefa fácil, já que as mulheres são as maiores vítimas da repressão. Usar maquiagem por exemplo, é um meio sutil de protestar contra a ditadura islâmica. Nessa fase adulta de retorno ao Irã, Marjane namora, estuda, amadurece e ficamos cada vez mais envolvidos na leitura. Em todos os momentos, a história é marcada pelo humor quase sádico que permeia o livro inteiro. Particularmente, gosto mais dessa fase adulta. Acho que não gosto de adolescentes hahaha
Na fase adolescente, ela tenta esconder de onde vem para ser aceita pelos amigos ocidentais. Pessoas que nem sempre eram legais. Muitas vezes tive vontade de dar uns tapas e falar: miafilha, sai de perto dessas pessoas! Mas faz parte né? Quem nunca teve amigos que a mãe não gostava e proibia de andar por serem "más companhias"?


Uma coisa, porém, que não muda durante todo o livro é a relação com os pais. Sério, que pais incríveis! E a avó também, mas principalmente os pais. A relação de total confiança que eles desenvolvem com a filha é uma coisa bem legal de se ver. Eles acreditam e confiam na filha ao ponto de não fazerem perguntas quando ela pede que não o façam. Eles confiam que podem mandá-la com apenas 14 anos para outro país porque sabem a filha que tem, sabem que ela conseguiria se virar bem sozinha.
É uma relação de muito diálogo e de muita sinceridade. Esse retrato da família foi uma parte do livro que eu gostei muito!

Sem comentários
Quando eu li sobre Persépolis antes de comprar o livro, achava que seria um livro sobre a guerra, mas achei que Marjane seria uma ativista dos direitos da mulher no Irã. Mas ela não é. Persépolis conta a história de vida dela, de sua família e de como, independente de que país estejamos, somos todos humanamente iguais. 

Eu acredito que, assim como Chimamanda faz em seus livros ambientados na Nigéria, Marjane também deve ter tentado dar ao mundo uma imagem diferente sobre o Irã. Isso é meu julgamento, tá? Não estou dizendo que seja essa a motivação dela. Mas que eu quase posso ouvi-la dizer isso, ahhh posso.

Persépolis não é um livro sobre os terrores e os medos da guerra. É um livro sobre pessoas e seus conflitos gerados pela guerra, pelo regime xiita, pelos radicais. É sobre uma família que resolve mandar a filha encrenqueira para outro país para protegê-la dos absurdos que aconteceram no Irã. É sobre uma adolescente, longe da família, tentando achar seu lugar no mundo. É um livro sobre saudade, sobre descobertas e amadurecimento.
Não é um manifesto político, nem um livro sobre a história do Irã, mas sobre os vários pontos de vistas que podemos ter sobre o país, sua história e seu povo. 


A minha edição, como disse antes, é a completa publicada pela Companhia das Letras (selo Quadrinhos da Cia) - essa edição reúne os livros Persépolis I, II, III e IV e a qualidade gráfica é excelente.
Esse é o primeiro livro autobiográfico em quadrinhos que leio e gostei muito da experiência.
Também gostei do estilo da Marjane e de seu traço. E se alguém aí ainda acha que história em quadrinhos são coisas só para crianças, dá um pulinho na livraria e enfia o nariz nesse livro (eu poderia indicar outros também, mas vamos focar neste). Além de ser praticamente uma aula de história, o livro joga pela janela dois esteriótipos ao mesmo tempo: que quadrinhos são para crianças e que os árabes são uns fanáticos.

Novo-preferido ♥
Persépolis possui uma animação baseada no livro, com o mesmo nome. Antes de começar a trabalhar com quadrinhos, Marjane Satrapi não pensava em cinema, mas sua paixão pelas artes também a levou para esse lado. Persépolis virou filme para que seu alcance fosse maior. Sabemos que nem todo mundo vai pegar um livro para ler, mas um filme é mais fácil de ser assistido - ainda mais se for um desenho.
Vou deixar o trailer para que vocês confiram, mas como sempre, o meu conselho é que: leiam o livro e só depois vejam o filme!

Ahhh, só mais um detalhe: ele ganhou um Oscar de melhor animação!


Ps: o filme é em francês, só achei o trailer com legenda em inglês, mas pra assistir tem legendado em português, tá?
Procurem! rs


Classificação: 5 capuccininhos

14.6.15

O Sol é para todos - Harper Lee

Oi pessoal.
Hoje eu vim falar sobre o último livro que li. O último mesmo, terminei de ler essa madrugada - porque não consegui dormir enquanto não terminei. E olha... que livro maravilhoso ♥ 


O título original é To Kill a Mockingbird, escrito em 1960 pela autora norte-americana Harper Lee. É um dos mais importantes clássicos da literatura e vencedor do Prêmio Pulitzer em 1961, um ano após a sua publicação. Vendeu mais de 40 milhões de cópias ao redor do mundo, foi traduzido para mais de 40 línguas e em 1962 virou um filme que também foi premiadíssimo: Oscar de melhor ator para Gregory Peck, Melhor roteiro adaptado, Melhor trilha sonora, entre outros. Ele também foi escolhido pelo Library Journal como o melhor romance do século XX e eleito pelos leitores do Modern Library um dos 100 melhores romances desde 1900.
Perceberam que essa história não veio ao mundo de bobeira, né?

Todo marcado kkkkk
Tratava-se de um livro raro e esgotado, até que algo extraordinário aconteceu.
A editora HarperCollins divulgou a notícia que chamou de um “acontecimento literário extraordinário”: a autora Harper Lee vai publicar um segundo romance 55 anos depois de seu clássico "O sol é para todos".
Uma amiga e advogada de Lee, encontrou o manuscrito junto com os originais de ' Sol é para todos' e convenceu a autora de que ele merecia ser publicado. Lee se disse surpresa ao encontrar o manuscrito após tantos anos, tinha se esquecido da existência dele e ficou muito em dúvida quanto a publicação. Ela pediu a opinião de amigos e pessoas próximas e graças a essas pessoas, o livro será laçado.

A nova obra que vai se chamar "Go Set a Watchman", foi escrita nos anos 50 e estava guardada até hoje porque Lee, que hoje com 88 anos, dizia-se satisfeita com o sucesso do primeiro livro e não achava o manuscrito tão bom quanto ele. O novo livro trará personagens que conhecemos (e amamos) no primeiro livro na fase adulta (minha adorada Scout ♥) e deve chegar ao mercado literário em Julho de 2015 (tá pertinho, socorro). Por isso também a minha "pressa" em falar logo dele aqui no blog: para que vocês tenham a oportunidade e o prazer de ler esse livro maravilhoso antes. Sim, porque graças a essa notícia bombástica no mundo literário, a Editora José Olympio (obrigada, seus lindos) relançou o clássico 'O Sol é para todos' numa edição linda e novinha em folha (vejam as fotos ao longo do post)! 
"Se você aprender um truque simples, vai se relacionar melhor com todo tipo de gente. Você só consegue entender uma pessoa de verdade quando vê as coisas pelo ponto de vista dela. Precisa se colocar no lugar dela e dar umas voltas."
O livro conta a história da pequena Jean Louise (ou Scout), seu irmão 4 anos mais velho Jean e seu pai, o advogado Attticus. A história é narrada pelos olhos de Scout, que é uma menina esperta e inteligente (queria pra filha), sempre atenta aos acontecimentos ao seu redor. Scout e Jean são órfãos de mãe e foram criados pelo pai e pela empregada negra, Calpúrnia. Eles moram em Maycomb, um condado no sul dos Estados Unidos e a história se passa nos anos 30, logo após a Grande Depressão.


É impossível não se apaixonar pela Scout e sua curiosidade e ingenuidade. É bom lembrar que no começo do livro, ela tem cerca de 6 anos. Como a história é contada por ela, a narração tem essa característica inocente e muitas vezes o leitor já compreendeu o porquê de certas injustiças e convenções, enquanto Scout ainda tenta compreender. O tema central do livro é trabalhado através da compreensão que ela vai tendo do que acontece ao seu redor. 
“Tia Alexandra era obcecada pelas minhas roupas. Como eu podia querer ser uma mulher elegante usando suspensórios masculinos? Quando eu disse que usando vestido eu não conseguia fazer nada, ela retrucou que eu não devia fazer nada que exigisse calças compridas."
Scout conta as aventuras e travessuras que aprontou junto de seu irmão e do melhor amigo Dill. Eles exploram o perfil da sociedade naquela época, suas peculiaridades e seus defeitos. A cidade tem um terrível perfil antiabolicionista e as crianças tem uma dificuldade de entender as injustiças que presenciam. 
Scout, Jean e Dill passam o verão juntos. Um dia, resolvem descobrir porque o vizinho Arthur Raddley vive recluso e nunca é visto. As crianças bolam planos mirabolantes e fantasiosos para fazer Arthur sair de casa. A partir desse acontecimento (Scout acha que foi a partir disso), a história se desenrola para uma série de acontecimentos e o leitor se vê envolvido em uma história racismo, discriminação, preconceitos históricos e direitos humanos.


Para colocar ordem nessa balbúrdia com o vizinho, temos Atticus que é um homem justo e um super pai para as crianças, que o amam e respeitam mais do que qualquer coisa no mundo (e eu também).
Atticus é advogado e vive uma rotina tranquila, mas se envolve num caso polêmico que acaba mudando a sua rotina, das crianças e de toda a sociedade local. Sociedade essa, que é extremamente preconceituosa e vive um período histórico que foi muito difícil para os negros. Era (ou é?) uma realidade muito cruel e injusta. Nesse cenário, Aticcus é nomeado para defender um negro, Tom Robinson, acusado de estuprar uma mulher branca. O comportamento dos moradores de Maycomb muda drasticamente, as pessoas mostram seu pior lado e tudo isso é acompanhado pelo olhar de Jean e Scout. As crianças e seu pai se tornam alvo de descriminação por causa de Tom Robinson.
"-Quase todo mundo acha que está certo e que você é que está errado.
-Essas pessoas têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter suas opinião respeitada - considerou Atticus - Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho que conviver comigo mesmo. A única coisa que não se deve curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa."
'O Sol é para todos' é um livro atemporal e discute situações que poderíamos muito bem estar lendo nos jornais de hoje. Uma vez que começamos a ler, nos vemos envolvidos com a história e não conseguimos largar. A narrativa é fluida, a linguagem é simples e é muito fácil de acompanhar. Os personagens são muito bem construídos, tanto os principais quanto os secundários. Você quase pode supôr a reação que terão na página seguinte após um ou outro acontecimento de tão bons que são. Eu sempre me interessei por esse livro, mas como disse no começo, ele era esgotado e difícil de encontrar (e quando encontrava, custava caro). Nesse caso, a fama faz a cama e tudo que se fale dele ainda é pouco.
Desde o título 'To kill a Mockingbird' que faz todo sentido na narrativa (e se você prestar atenção, é a mensagem do livro) até a questão filosófica central (que também encaixa perfeitamente no nome traduzido da obra), passando pela humanidade e o caráter de Átticus transmitido para seus filhos e o amadurecimento de Scout e Jean, arrisco dizer que é o melhor livro de 2015 e um dos melhores que já li na vida. Será difícil que um outro livro o supere tão em breve - talvez o próximo de Harper Lee... Será?

“As coisas sempre são melhores pela manhã” 

Eu estou ansiosa pelo lançamento do próximo livro! E vocês?

7.6.15

Entrevistando Fernanda Nia

A Entrevista

Fernanda Nia é a autora do supersensacional site "Como eu realmente", que não canso de dizer, é um dos mais legais que eu acompanho.
Para quem não conhece o trabalho da Fernanda, a sua série de tirinhas mostra uma menina chamada Niazinha que tem uma imaginação fértil e gosta de coisas que muitas de nós gostamos: internet, docinhos e gatinhos ♥ A Niazinha expõe nas tirinhas como as coisas acontecem e como ela realmente as imagina ou como gostaria que acontecessem. É fácil se identificar e se apaixonar pelas histórias e situações que lemos.

No ano passado, eu estive no lançamento do Volume 01 do 'Como eu realmente' e contei toda pagação de mico a experiência aqui. Vocês lembram? Caso não estejam lembrados, cliquem aqui porque teve tietagem, aparição em vídeo e tudo o mais.
Quando soube do lançamento do Volume 02, tive uma ideia estúpida incrível de criar um conteúdo bacana aqui para o blog. Falei com a Fernanda, ela topou (ai gente, sério, muito fofa) e eu fui lá, munida de câmera, coragem e muita vergonha gravar um vídeo com ela ♥

Assim nasce a primeira entrevista aqui do Expresso com essa linda da Fernanda Nia, direto do lançamento do seu segundo livro: Como eu realmente - Volume 02!

Algumas considerações antes do play:
Pessoal, esse é o primeiro material em vídeo que eu produzo para o blog. Com ele, vieram alguns erros e acertos que vocês vão perceber ao longo do vídeo. O principal é que tive um problemão pra editar o áudio por gravar sem microfone em um local movimentado. A área onde a livraria me autorizou gravar, ficava muito próxima ao café e isso dificultou ainda mais a minha vida. Ou seja: pre-ci-so de um microfone. Isso significa que só farei vídeos e entrevistas para o blog quando conseguir trocar meu equipamento. 
Peço desculpas por não ter ficado perfeito como eu gostaria, eu não consegui acertar o foco 100% (óbvio, não estava vendo) e bom, é isso.
O vídeo não ficou como eu tinha sonhado, mas a Fernanda foi tão fofa, que além de querer apertar muito ela, tive que dar um jeito de postar aqui para que vocês tenham a mesma vontade ♥


Minha opinião sobre o livro:


Essa edição está tão caprichada quanto a primeira, Editora Nemo como sempre de parabéns.

Em comparação ao volume 01, eu gostei muito desse novo livro pela abordagem.
Fernanda Nia trabalhou de forma leve sobre assuntos como: preconceito, feminismo, haters e o livro está cheio de comentários legais da autora sobre esses assuntos.
Fora que as situações que a Niazinha vive são super divertidas.
Me identifiquei muito com uma tirinha onde, não concordando com a opinião de uma pessoa, a Niazinha faz exatamente o que eu faço quando isso acontece: passa direto preocupada com o almoço =D
(Digo e repito: Dá pra discordar do coleguinha sem odiá-lo por pensar diferente, pessoal! Juro bem juradinho!)


Assim como no livro anterior, o volume dois também segue o formato do site: as tirinhas vêm acompanhadas por comentários super divertidos da autora. 
Por exemplo, na tirinha sobre viagens, gostei muito do comentário que ela fez: "É bem mais prático ter uma mala hipercolorida e espalhafatosa que uma cinza e sem graça. Quando eu preciso encontrá-la na esteira do aeroporto, por exemplo, é só seguir a trilha de blogueiros de moda desmaiados pelo chão". Sério, gente, como não amar essa mulher? hahaha


Com um humor sutil e o traço que conquistou tanta gente, Fernanda conseguiu manter o mesmo padrão do livro anterior. Essa edição está super divertida e impecável. O humor dos quadrinhos é sutil, inteligente e nada escrachado. É o tipo de coisa que você lê e se identifica. Acho que todos nós temos a imaginação um pouco esquisita também. O livro tem uma parte dedicada aos leitores, uma brincadeirinha tipo "Onde está Wally?", só que com a Niazinha.
Além disso, essa edição também tem uma surpresa (que eu amei): uma parte em HQ. Ou seja, uma historinha corrida, diferente do formato das tirinhas ♥


Ou seja, resumindo: Fernanda Nia arrasa! Comprem, leiam e divirtam-se antes que a Srta Garrinha conclua seus planos de dominação mundial e sejamos obrigados a ser seus súditos fiéis :)





Classificação: 5 Capuccininhos

6.5.15

Passarinha - Kathryn Erskine


Livro bonito, bem construído e com o poder de aquecer o coração de quem lê? Tá tendo!
“Embora eu não gostasse da empatia ela é uma coisa assim que chega sem avisar e faz você sentir um calorzinho gostoso no coração.”
Passarinha foi o primeiro livro que li em 2015 e ao pensar em trazer uma resenha para o blog, não pude pensar em outro. Ele é tão lindo, que a minha vontade é comprar vários e sair distribuindo.

A autora,  Kathryn Erskine, ganhou vários prêmios com esse livro, inclusive o National Book Award 2010.
Kathryn mora no estado da Virgínia, onde aconteceu um massacre na Virginia Tech University, em 2007. A autora ficou profundamente chocada com o acontecido. Ela queria entender como uma família sobrevive a uma tragédia como esta, então ela relacionou a história da violência, o impacto que um caso assim causa na vida das pessoas e de uma comunidade e como uma criança com necessidades especiais lidaria com algo assim.
Em Passarinha, a personagem principal tem a síndrome de Asperger, assim como a filha da autora. Seu objetivo sempre foi que as pessoas compreendessem melhor como é o mundo através dos olhos de um portador da síndrome de Asperger. A menina do livro não é a filha de Kathryn, mas ela emprestou várias coisas que vivenciou com a filha para a personagem. Se você quiser entender melhor o que é essa síndrome e como ela afeta a inteiração social de seus portadores, clique aqui.
Ou melhor, dediquem 4 minutinhos do seu tempo para ouvir a própria autora explicar um pouquinho:


Passarinha é um livro de sutilezas e simplicidades cativantes.
Antes de iniciar a leitura da narrativa, existe uma nota de esclarecimento da tradutora, Heloisa Leal, explicando a construção da autora: o jogo de palavras, a existência de palavras com letra maiúscula no meio das frases, a ênfase de como as palavras representam o pensamento da personagem, as relações de simetria entre palavras iguais com significados diferentes e tudo o que torna esse livro uma experiência única de inserção em um mundo tão diferente do nosso.

Como o grande objetivo de Kathryn era que as pessoas pudessem enxergar o mundo como Catlin, a personagem principal, enxerga e assim entender melhor o mundo do portador de Asperger, o livro é contado em primeira pessoa.
Isso significa que Passarinha é um mergulho na mente confusa de uma criança com Asperger. Você só vai saber o que ela sabe, você só vai entender o que ela conseguir entender.
E é aí que a essência do livro se revela.
“Eu gosto das coisas em preto e branco. Preto e branco é mais fácil de entender. Cor demais confunde a cabeça da gente.”
Caitlin tem apenas dez anos e tem síndrome de Asperger. Ela está enfrentando uma grande tragédia familiar e precisa lidar com isso, além de ajudar o pai a superar perdas irreparáveis. Mas Caitlin não sabe como fazer isso. Muitas coisas ela não consegue entender, mas sabe que algo precisa ser feito para que possam seguir suas vidas.
O título original do livro é Mockinbird, em referência ao filme “To Kill A Mockingbird” (O Sol É Para Todos). O livro faz várias referências ao filme e é também um jeito que Devon, irmão de Catlin, usa para que a irmã entenda determinadas coisas. O irmão a chama pelo mesmo apelido da menina do filme, Scout. A família de Devon e Catlin é igual a do filme: um pai que cuida sozinho dos filhos porque a esposa morreu. Essa referência facilita a compreensão que Catlin tem da própria família. 

A gente tende a pensar que os autistas não sabem conviver com as pessoas, mas a verdade é que as pessoas é que não sabem conviver com eles. Querem exigir que eles  se comportem e tenham atitudes como as nossas e por muitas vezes tentamos ensinar coisas que, se pararmos pra pensar, não fazem muito sentido nem para nós mesmos. Por exemplo, como você quer ensinar uma criança a manter o controle se você perde a paciência com ela e não consegue se controlar?
A autora nos mostra como a paciência é importante e mais do que isso, como as palavras tem o poder de construir pontes e elos.
Para Catlin é difícil "captar o sentido" do que as pessoas querem dizer. Ela não gosta de olhar nos olhos das pessoas, não gosta que invadam seu espaço e nem que toquem nela. Catlin gosta de ler livros e dicionários porque considera eles mais fáceis de entender - ao contrário das pessoas, livros não mudam de opinião. 
Graças ao dicionário, Catlin lê a palavra "desfecho" e ao tentar compreender o significado, se convence que é exatamente o que ela e seu pai precisam: um desfecho. Mas ela não sabe como conseguir isso e nem como fazer esse desfecho acontecer, mas está determinada a alcançá-lo de qualquer jeito.
O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. As pessoas dizem que não se pode julgar um livro pela capa mas isso  não é verdade porque a capa diz exatamente o que tem dentro. E não importa quantas vezes você leia aquele livro as palavras e imagens não mudam. Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. [...] Livros não são como pessoas. Livros são seguros.
Catlin sabe que é diferente das outras crianças, mas não se sente tão diferente assim. Ela sabe que tem dificuldades que precisa enfrentar, mas não aceita ser chamada de "doente". A determinação que ela tem de enfrentar os próprios limites e superar a si mesma a todo instante, é de uma força comovente.
Tentando ajudar o pai a superar a dor que ele sente, Catlin acaba por descobrir o próprio caminho e a si mesma, descobrindo um novo modo de perceber o mundo, relações de amizades, cores, empatia...  Sua visão de mundo é comovente e cativante, apesar de toda a dificuldade que ela enfrenta para entender o mundo, as pessoas, as relações e a si própria. É um livro fascinante e cheio de ternura que encheu meu coração de amor. É emocionante, podem acreditar em mim porque eu não posso deixar de recomendar a leitura dessa obra de arte!

E... Gente... E essa capa maravilhosa? Eu fiquei apaixonada! ♥ Palmas para a Editora Valentina que fez um trabalho lindíssimo!
O ninho, a menininha encolhida no ninho, as cores da capa, a diagramação... Não dá muito mais prazer de ler um livro quando a capa é linda assim? Ao olhar essa capa, a contracapa e a primeira página que lista todos os prêmios que a autora ganhou com ele, uma curiosidade fulminante me consumiu e eu tive que comprar. Devorei o livro em três dias e lamentei quando acabou!
Com palavras simples e contando a história de um jeito extraordinário e inovador, Kathryn Erskine me conquistou num nível, que eu queria ir lá na Virginia dar um abraço nela!

Passarinha não é um livro depressivo, é triste, mas é uma tristeza que é muito bonita. Você tem a exata sensação que a personagem principal está te ensinando alguma coisa muito valiosa, que vai te fazer evoluir de algum modo.
Acima de tudo, é um livro sobre compreender as diferenças entre o mundo que você vê e o mundo que outras pessoas vêem.
É um livro encantador sobre o quanto nossa vida pode ser melhor se aprendermos a compreender uns aos outros.

Classificação: Cinco capuccininhos


Ps: No site da autora (kathyerskine.com) existe um rico material sobre autismo e síndrome de Asperger, endereços úteis, links para artigos, fontes de pesquisa e vários materiais para educadores que trabalham com crianças especiais. Fica a dica!

22.10.14

A Estrela de Prata - Jeannette Walls

Eu queria começar a falar de Jeannete Walls falando sobre outro livro dela, O Castelo de Vidro.
Eu comecei esse post fazendo uma resenha dupla sobre os dois livros, mas não gostei de como estava ficando e resolvi focar em um de cada vez.
Li o A Estrela de Prata recentemente, então vou deixar O Castelo de Vidro para outro momento, porque vou pegar para relembrar umas partes e marcar uns pontos legais para a resenha. Mas já adianto que ele é um dos meus preferidos da vida - então podem me cobrar!
Como disse no post do Book Haul, quando vi esse livro na livraria, esqueci o que tinha ido procurar e abracei o livro correndo para o caixa. Agora vou contar porque não me arrependi!


Para começar, "Estrela de Prata" é a terceira maior condecoração militar concedida a um membro de qualquer ramo das Forças Armadas dos EUA e terceira maior premiação por bravura ao enfrentar um inimigo, um reconhecimento por um ato de heroísmo. Demora-se um pouco para conhecer a história da Estrela de Prata no livro, mas ninguém seria mais merecedora de uma condecoração dessas do que as irmãs Liz e Bean - protagonistas de verdadeiros atos de bravura contra o maior inimigo que duas crianças podem enfrentar sozinhas: o abandono.


Charlote Holladay é uma aspirante a cantora na Califórnia dos anos 70, mãe de Liz e Bean.  Uma mulher deslumbrada com a fama que pretende alcançar quando for reconhecida como artista e que não hesita em abandonar as filhas sozinhas quando precisa correr atras de algum teste ou oportunidade para mostrar seu talento em agências e produtoras. Charlote não é uma pessoa centrada ou responsável, mas acredita que o único modo de viver, é esquecendo o passado e correndo atrás dos sonhos para conquistar o futuro. Não teria nada de muito errado nisso, se ela não negligenciasse a criação de suas filhas. De certo, Charlote amava muito as meninas, mas amava a si mesma em primeiro lugar e num dos devaneios de fama emergente, larga as filhas sozinhas com dinheiro suficiente para sobreviverem por um mês e some no mundo.
Mas muito se engana quem pensa que o livro é sobre a loucura de uma mãe negligente, o rancor de filhas abandonadas à própria sorte ou as implicações que um caso de abandono de incapaz poderia gerar. O livro é sobre Liz e Bean, duas irmãs que precisam enfrentar coisas muito difíceis juntas e precisam crescer antes do tempo para sobreviver. Liz e Bean aprendem muito cedo como é difícil ter que enfrentar a crueldade das pessoas, diversos tipos de preconceito, a hipocrisia que os adultos levam suas vidas, os segredos de família a que nunca tiveram acesso, parentes que desconheciam e principalmente, como o amor entre irmãs pode ser capaz de enfrentar a tudo isso e muito mais.

A aventura das irmãs Holladay começa, como dito anteriormente, quando sua mãe Charlote resolve ir atrás de uma oportunidade artística e some no mundo. Não era a primeira vez que isso acontecia e elas já estavam acostumadas. As meninas precisam se virar entre as tarefas domésticas, a escola, a curiosidade dos vizinhos e além de administrar bem o dinheiro que a mãe deixou para que se alimentassem pelo equivalente a um mês inteiro.  Elas cuidam uma da outra e compram tortas de frango no mercadinho do bairro para o jantar. Porém, Charlote sumiu no mundo por mais tempo do que as meninas conseguem disfarçar. Elas jamais duvidaram que a mãe voltaria, mas acabam atraindo a atenção do dono do mercado que muito prontamente resolve descobrir porque não tem visto a mãe delas pelo bairro.
Antecipando-se à visita dos agentes do Conselho Tutelar e acreditando que dessa vez estavam bem encrencadas, Liz e Bean resolvem fugir para não acabarem internadas em um abrigo para menores.

Os passarinhos me acordaram cedo na manhã seguinte. Eu nunca tinha ouvido passarinhos tão barulhentos.

Pensando sobre para onde poderiam ir, já que a mãe não deixou qualquer pista de onde estava, Liz e Bean resolvem viajar para a Virgínia, palco do passado e dos traumas de que sua mãe jamais falava. Elas procuram a velha casa da família e encontram tio Tinsley, um senhor viúvo, mau humorado e preso ao passado. A família Holladay era dona de um moinho de algodão onde trabalhava a maior parte da população da cidade e eram tão importantes, que até nomes de rua em homenagem aos Holladay existia. Mas com a decadência dos negócios, o moinho acabou sendo vendido para investidores e a vida do tio Tinsley perdeu um pouco do sentido. Então esse tio está enterrado em seu passado quando se dá conta de que as sobrinhas foram abandonadas por sua mãe e precisam de um adulto que olhe por elas. Então ele assume essa tarefa, porém tio Tinsley é um velho conservador e um pouco hipócrita e isso quer dizer que, apesar de prover abrigo e proteção, as meninas continuam se virando sozinhas.

Melhor carta. Liz ♥

Convivendo com o tio, as meninas acabam descobrindo a verdadeira história sobre o passado dos pais e conhecem parentes dos quais jamais ouviram falar. Liz e Bean fazem o que podem para se adaptar à nova rotina, aquelas pessoas e seus costumes típicos de uma cidade do interior. 
A escola onde vão estudar, na infantil ilusão de conquistar novos coleguinhas, se revela palco de uma tensa disputa territorial entre negros e brancos, ricos e pobres. Bean e Liz sofrem diversos tipos de preconceito e injustiças. Em meio a todo esse furdunço, uma coisa muito grave acontece e movimenta toda a cidade - além da mãe Charlote, que precisa enfrentar aquela cidade que tanto odeia para tentar ajudar e proteger as filhas.

E é óbvio que eu não vou contar o que é!


Toda a história, é contada aos olhos de Bean Holladay, uma menina de 12 anos, inteligente e espevitada que não tem papas na língua e frequentemente precisa se controlar para não falar demais. Isso confere o livro um tom de inocência e uma leveza já característica da narrativa de Jeannette Walls. Ela fala de coisas muito difíceis com uma simplicidade que deixa o leitor desconcertado. 
O comportamento instável e bipolar da mãe, confere às meninas uma maturidade incrível para a pouca idade delas. Por diversas vezes, Bean e Liz buscam compreender as atitudes da mãe, buscando meios de amenizar a história que contam sobre ela. Elas sabem que a mãe tem problemas mas procuram compreender as motivações de seus surtos, acabando por muitas vezes sendo cúmplices das situações que lhes são impostas. Porém a forma como elas encaram as adversidades é ao mesmo tempo realista e bela.
“Encontre a magia. E se você não puder encontrar magia, então a crie”
A Estrela de Prata, assim como o romance anterior "O Castelo de Vidro", traz um olhar crítico e dolorido sobre infância de crianças que são negligenciadas pela família. A história das irmãs não é narrada com rancor ou vitimização de duas órfãs com a mãe viva, mas com a esperança de um futuro melhor e com a certeza de podem superar qualquer adversidade com amor e persistência. A luta pela sobrevivência, o amadurecimento precoce, a busca pelo amor e a necessidade de extrair a felicidade e a esperança no meio disso tudo, também são temas bem focados no livro. Eu seria uma completa idiota se não recomendasse fortemente a leitura desse belo exemplo de um livro bem escrito.



Classificação: 5 Capuccininhos

10.10.14

Resenha: O Lado bom da Vida


Pra começar, dê o play aqui:
...vamos de post com a música d'A Banda mais bonita da cidade.
E um abraço pra você que acha que eles só tem uma música.

O Livro

Vocês conhecem alguém que busca sempre ver o lado bom da vida? Uma pessoa que deteste assuntos negativos ou histórias deprimentes? Você pode até conhecer alguém sempre disposto a encarar as coisas de um ângulo melhor, mas nenhuma delas é como Pat - o protagonista dessa história.
O nome original do livro é “Silver Linings Playbook”, uma expressão que numa tradução não literal, significa que várias coisas ruins que acontecem podem resultar numa coisa boa. 
"Silver linings" são linhas de contorno das nuvens quando o sol está encoberto por elas. O sol está escondido pelas nuvens, mas continua iluminando. É um jeito Pollyana de ver as coisas: ver sempre o lado bom de tudo. E é nisso que o personagem principal acredita, é essa sua filosofia de vida.

(em tempo: se fosse escolher pelo título eu jamais teria lido)

O Lado bom da Vida é um livro narrado em primeira pessoa pelo seu personagem principal: Pat Peoples. Durante boa parte do livro, Pat não se lembra do que fez para ter ido parar num hospital psiquiátrico. O leitor também não vai saber até que ele se lembre, porque é ele quem conta a própria história. Quando Pat fica confuso ou perde o controle, a narrativa fica intensa junto com ele. Aos poucos o leitor vai tendo pistas dos motivos para os surtos, de como a mente de Pat funciona e invariavelmente, se envolve com ele. Mas não é pra menos, Pat é um personagem cativante. Apesar de saber desde o inicio, nas entrelinhas, que ele fez algo de muito grave, é impossível não torcer por ele.

Então tá, o enredo. Pat Peoples está internado há quatro anos em um hospital psiquiátrico, sem nenhuma notícia do mundo lá fora e sem se dar conta do tempo. Ele ocupa seus dias com exercícios físicos, porque deseja ficar bonito, atraente e sarado para a ex-esposa quando o "tempo separado dela" terminar.
Na verdade existe uma ordem judicial impedindo que ele se aproxime, mas ele não sabe o motivo.
Um dia a mãe dele resolve que quer levá-lo pra casa, assina os papéis e leva Pat embora desse lugar que ele chama de "lugar ruim". Ela tenta se certificar o tempo todo que ele está tomando os remédios, que está controlado, que o pior já passou - e até monta uma super academia particular para que a obsessão que ele desenvolveu por exercícios físicos esteja sob controle. Existe uma preocupação de não tocar em assuntos traumáticos, ela desvia a conversa quando ele pergunta coisas sobre o passado e a ex-esposa, some com fotografias do casal e obriga o filho a ir à terapia - requisito para que ele fosse liberado do "lugar ruim".
Mas Pat tem uma única preocupação: fazer tudo o que for preciso para voltar para a ex-esposa.
"Você precisa saber que são suas ações que fazem de você uma boa pessoa, não sua vontade."
Já o pai não se relaciona bem com ele - nem com ninguém na verdade. Ele é obcecado por futebol e sua vida só está boa quando os Eagles vão bem. A relação de Pat com o pai é re-construída através do desempenho do time. Pat e o irmão Jake também são fanáticos pelo time, mas a relação deles é bem fraternal e bonita. Coisa que não acontece com o pai. É uma relação bem complicada, porém interessante de observar.


A bipolaridade do personagem é descrita de maneira simples, quase inocente, porque o personagem não faz a mínima ideia de que é assim. Ele tem um problema psiquiátrico e precisa tratar, mas ele sequer entende o porquê. Então ele tenta entender e se entender através da ajuda de seu terapeuta, Dr. Patel.

As seções com o terapeuta viciado em futebol americano, são um ponto alto do livro. Eu adoro livros, filmes, seriados e whatever que exploram essa relação paciente/terapeuta. A relação que Pat estabelece com seu psiquiatra e as seções de terapia, foram um ponto alto do livro pra mim.
Outro ponto que eu gostei muito, foi que Pat resolveu ler os livros que a ex-esposa gostava e sobre os quais lecionava, porque queria ficar inteligente para que ela tivesse orgulho dele - mas surtava quando um livro acabava mal e não entendia como ela podia dar aula a jovens com um livro tão deprimente, que não enxergava o lado bom da vida (e aqui ele, sem pudor nenhum, faz spoiler de vários livros - como por exemplo quando ele se enfurece com  Hemingway e cospe o final do livro, inconformado haha).
Ele tenta a todo custo manter a positividade e repete o mantra de "ser gentil ao invés de ter razão".
Conforme Pat vai narrando, você consegue entender como ele pensa, quais seus problemas, seus sentimentos em relação à ex-esposa e porque ele se esforça tanto para ser gentil e ver o lado bom da vida. A narrativa dúbia, demostra a instabilidade de Pat e entrega pro leitor seu estado psíquico.


Ninguém consegue, colega!

Ao mesmo tempo em que Pat tenta lidar com a família e com a ansiedade de voltar logo para Nikki, também tenta voltar a se relacionar com os velhos amigos e num jantar é apresentado à Tiffany.

Então tem Tiffany. Uma garota maluca e tão ferrada emocionalmente quanto Pat.
Nesse momento eu achei que o livro ia virar um clichê garoto-encontra-garota, bem naquele estilo: "ooohh tenho problemas" - "oohh também tenho, seremos problemáticos juntos" - mimimi cai o pano.
Mas Tiffany, além de louca, é bem legal. Uma personagem no minimo interessante - de tão esquisita. Mesmo porque, desde que a personagem é apresentada até o ponto que passamos a gostar dela, entendemos que seu comportamento maluco também é resultado de um grande trauma.
Tiffany não tem traquejo social, não consegue disfarçar quando não gosta de algo, não finge estar feliz quando as pessoas esperam que ela o faça e tem uma agressividade que a torna uma bomba prestes a explodir numa crise de raiva. Ou de choro.
No início, Pat tenta se livrar dela, literalmente corre quando a encontra. Porém, ela se torna a única pessoa que consegue compreender como Pat se sente e como pensa.
Enquanto Pat e Tiffany tentam lidar com seus próprios problemas, existe uma certa urgência de descobrir os limites dos relacionamentos de ambos e os limites da amizade que eles desenvolvem a partir de uma troca de interesses que no desenvolvimento da história se revelam outros.
Pat precisa de ajuda com algo que Tiffany se propõe a fazer, enquanto Tiffany conta com a ajuda de Pat em outra. As coisas, em si, parecem pequenas mas é preciso observar o que há por trás delas. Se a gente observar de perto, parece muito com as coisas que fazemos na vida real.
“Você não deveria estar tentando se livrar de ninguém. Você precisa de amigos, Pat. Todo mundo precisa.”
Embutido no enredo do livro desde o título, existem elementos Augustocuryânicos  de auto-ajuda do tipo "tudo vai ficar bem se você crer nisso" e essa ideia Pollyânica de "ver o lado bom de tudo". Eu acho auto-ajuda um tremendo pé-no-saco, porém, nessa história não me incomodou muito devido ao fator ironia.
É no mínimo engraçado de ver duas pessoas extremamente malucas tentando provar que não são malucas em meio a crises de instabilidade crônica e escândalos na vizinhança.
Talvez outros leitores se incomodem com o uso dessa positividade, que às vezes soa meio exagerado - mas no contexto dos personagens, tudo soa meio sarcástico.
Como se você fosse se consultar com um dentista de dentes podres ou visse um gago tentando trabalhar como locutor de futebol.


No geral, achei o livro leve e sensível. Ele mostra a instabilidade emocional de personagens diferentes, mas cativantes. Além de nos faz pensar nas diversas maneiras que as pessoas enfrentam seus próprios traumas e instabilidades emocionais.
É uma leitura gostosa, que vale a pena. Eu não me arrependi!

Classificação: 4 Capuccininhos

O Filme

Só serviu para dar rosto aos personagens.

A versão cinematográfica foi estrelada por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper. E é isso que salva porque são dois lindos. De um modo geral, o filme tropeça muito feio no roteiro original e infelizmente perde toda a essência do livro.
Aliás, várias coisas, no filme são diferentes: o sobrenome do personagem principal, o tempo que Pat fica no "lugar ruim", ele saber logo no inicio do filme coisas que ele só descobre no final do livro, a relação com o o irmão, a relação com o pai (que no filme é o inverso de como é no livro), a relação dele com os Eagles, as música citadas e tão importantes na história, Nikky (Deus, pq?), o terapeuta que é muito mais legal no livro, o amigo do sanatório e além de coisas que só acontecem no filme e não no livro - e que se eu falar aqui vai ser um tremendo spoiler. Se já não tiver sido. Enfim, o filme me decepcionou muito, por isso vou ser chata, implicante e clichê ao dizer que o "o livro é melhor". E nesse caso, bem melhor! O filme banalizou o livro, transformou uma história bacana numa comédia romântica muito mais-do-mesmo. A impressão que eu tenho é que pegaram a história central do livro e florearam em volta sem pudores - cagaram o roteiro. Nada mais explica.
E de quebra, estragou minha imaginação hahaha. Digo a mesma coisa que disse na resenha do livro "Um dia": quando surge uma versão cinematográfica de algo que ainda não li, acabo imaginando os atores mesmo como os personagens.
Se você achou o filme meio bunda mole, leia o livro! Além de muito melhor, as relações são mais concretas e as crises mais profundas.


Dito isso, fiquem com o trailler e logo abaixo, dêem a opinião de vocês, ok?
Vai que eu tô sendo chata e implicante sozinha? rs


Ps: Ganhou o Spirit Awards 2013 nas categorias: Filme, Diretor, Atriz e Roteiro. Melhor atriz no Academy Awards. Recebeu oito indicações Oscar nas categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Venceu apenas a de Melhor Atriz. Recebeu quatro indicações para o Globo de Ouro e venceu o de melhor atriz. Ou seja: Jennifer Lawrence tá diva, uma deusa, uma louca, uma feiticeira. 
Mas nada vai me convencer que estou reclamando a toa, apesar de saber que sou chata mesmo! 

Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
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